Guia · Gestão de risco em TI

Mapa de risco de infraestrutura de TI: como prever onde a operação vai falhar?

Um guia prático para sair do modo reativo. Neste artigo explicamos como calcular o risco de elementos de infraestrutura, como ler os sinais que antecedem uma falha, como prever a capacidade e como montar um mapa de risco com os dados que o seu monitoramento e sua observabilidade já coletam.

Por time de SRE da OpServicesAtualizado em 16/10/202614 min de leitura
Resumo em 30 segundos
  • O guia tem duas partes. O mapa de risco mostra qual ativo mais ameaça a operação. A previsão mostra quando o problema deve aparecer.
  • Risco de TI é a chance de um equipamento falhar multiplicada pelo impacto no serviço que ele sustenta. Contar alertas não mede nenhum dos dois.
  • A melhor pista de uma falha futura está no histórico do próprio equipamento: frequência, recência, instabilidade e tendência.
  • Limite fixo não enxerga desvio. A comparação certa é com o normal daquela hora da semana.
  • Previsão de capacidade confiável entrega uma janela de datas e admite quando a tendência é incerta.
  • O mapa só melhora a operação se cada ação registrada for conferida nas semanas seguintes.
Capítulo 01

O que é risco em infraestrutura de TI

Risco é a combinação de duas perguntas: qual a chance de algo falhar e o que acontece se falhar. Em infraestrutura de TI, esse "algo" é um ativo concreto, como um servidor, um banco de dados, um link ou um switch. O que acontece se ele falhar se mede no serviço que ele sustenta.

O monitoramento tradicional responde a outra pergunta, igualmente importante: o que está quebrado agora. Ele olha para o presente. Um mapa de risco olha para as próximas semanas e ordena a infraestrutura pela ameaça que cada ativo representa para a operação.

Por isso este guia tem duas partes, que se completam. A primeira mostra qual ativo mais ameaça a operação. Esse é o mapa de risco, assunto dos capítulos 2 a 4. A segunda mostra quando o problema deve aparecer. Essa é a previsão, com outliers, sinais precursores e capacidade, nos capítulos 5 a 7. Os capítulos 8 e 9 juntam as duas na rotina do time.

Chancede falhar nos próximos 30 diasvem do histórico do equipamento
×
Impactono serviço que ele sustentavem do mapa de dependências
=
Riscoa ordem em que o time agecom o motivo escrito
Figura 1 · A conta que organiza o mapa de risco

A diferença aparece no calendário. No modo reativo, o time descobre o problema no dia da queda. Com um mapa de risco, o mesmo equipamento aparece semanas antes, primeiro como "piorando", depois com um sinal aceso, a tempo de entrar numa janela de manutenção planejada.

Modo reativoo time descobre na hora da queda
Falhaalerta dispara ou o cliente ligadia da falha
Com mapa de riscoo time vê a ameaça semanas antes
Piorandoentra no alto da listahá 24 dias
Sinal acesorepete o que veio anteshá 14 dias
Ação registradatroca na janela planejadahá 7 dias
Sem quedao serviço segue no ardia da falha
há 30 diashá 15 diasdia da falha
Figura 2 · O mesmo equipamento visto de duas formas, num caso ilustrativo
Capítulo 02

Por que o histórico é a melhor pista

Falhas de infraestrutura raramente se distribuem por igual. Na maioria dos ambientes, um grupo pequeno de equipamentos concentra boa parte das ocorrências. Além disso, quem falhou há pouco tempo tem mais chance de falhar de novo. A explicação é simples: a causa costuma continuar lá. O disco degradado, a configuração frágil ou a carga que cresceu sem redimensionamento.

6 de 86equipamentos concentram 41% das falhas dos últimos 90 dias no ambiente de exemplo
Figura 3 · Concentração de falhas num ambiente de exemplo
Equipamento que falhou recentemente tem mais chance de falhar de novo, porque a causa costuma continuar lá.

Por isso o ponto de partida de qualquer mapa de risco é o histórico de cada ativo. Noventa dias costumam bastar para enxergar padrão sem misturar com uma infraestrutura que já mudou. Com menos tempo, a estimativa existe, mas precisa vir marcada com confiança baixa.

Capítulo 03

Os quatro sinais que antecedem uma falha

Dentro do histórico, quatro medidas dizem quase tudo sobre a chance de um equipamento falhar no próximo mês. Cada uma enxerga uma parte diferente do problema.

Frequência

Quantas vezes o equipamento falhou em 90 dias, comparado à média do ambiente.

Falhou 38 vezes, 6× a média
agora

Recência

Há quanto tempo foi a última falha. Falha de ontem pesa mais que falha de dois meses atrás.

A última foi há 1 dia

Instabilidade

Quantas vezes o estado trocou entre normal e problema. Oscilação costuma anteceder a queda definitiva.

61 trocas na semana, contra 14

Tendência

O ritmo recente comparado ao anterior. Mostra quem começou a piorar antes de virar o pior da lista.

9 falhas no mês, contra 1 antes
Figura 4 · Os quatro sinais e o que cada um mede

Nenhum sinal sozinho decide. Um servidor com muitas falhas antigas e nenhuma recente pesa menos do que um que começou a falhar este mês. A conta combina os quatro e, para ser útil ao time, precisa dizer qual deles pesou mais em cada caso.

srv-erp-01 · o que mais pesa
Frequência de falhasFalhou 38 vezes em 90 dias, 6× a média do ambiente
Falha recenteA última foi há 1 dia
InstávelTrocou de estado 61 vezes nesta semana, contra 14 numa semana normal
PiorandoFalhou 18 vezes em 30 dias, 1,6× o ritmo dos 60 dias anteriores
Confiança média · 80 dias de histórico · sustenta o serviço de TI ERP
Linha do tempo · últimos 30 dias
falhamétrica fora do normalação registrada
há 30 diashá 15 diasagora
Figura 5 · Como os quatro sinais aparecem para um equipamento do topo da lista

A tendência merece atenção própria. Um link que caía uma vez por mês e passou a cair nove vezes ainda pode parecer pequeno perto de outros, mas é exatamente o tipo de mudança que antecede uma reclamação.

média mensal dos 60 dias anterioresúltimos 30 dias
PRTGlink-filial-curitiba9×
1
9 falhas
KeepMonitorsrv-erp-011,6×
11
18 falhas
Datadogdb-loja-023×
2
6 falhas
Zabbixsw-core-014×
1
4 falhas
Figura 6 · Tendência: os últimos 30 dias contra o ritmo dos 60 anteriores
Capítulo 04

Chance sem impacto engana: o papel dos serviços de TI

Dois servidores com o mesmo número de falhas podem representar riscos muito diferentes. Se um deles é o ambiente de testes e o outro é o banco do ERP, a ordem de atenção é óbvia para qualquer pessoa da operação, mas não para uma lista que só conta falhas.

O impacto vem do mapa de dependências: quais serviços de TI cada equipamento sustenta e o que para quando esse serviço para. Uma escala de cinco níveis, de mínimo a crítico, resolve a maior parte dos casos. A matriz que cruza chance e impacto mostra onde está o perigo de verdade.

Canto superior direitoChance alta e impacto alto. É a lista da semana: troca, correção ou janela de manutenção.
Impacto alto, chance baixaNão exige ação agora. Vale conferir se existe redundância caso o improvável aconteça.
Chance alta, impacto baixoCostuma ser ruído recorrente. Ajustar a regra libera atenção do time.
Figura 7 · Matriz de chance × impacto e como ler cada região
Capítulo 05

Outliers: por que limite fixo não basta

Um CPU em 13% não dispara nenhum alerta configurado. Mas se o normal daquele servidor numa quinta à meia-noite fica entre 5% e 8%, esse valor é um desvio forte e pode ser o primeiro sinal de um processo fora de controle.

Para enxergar isso, cada métrica precisa de uma linha de base: o comportamento normal em cada hora da semana, aprendido com as semanas anteriores. Um outlier é o valor que sai dessa faixa. Dois números ajudam a priorizar: o quanto ele saiu e quantas métricas do mesmo equipamento saíram juntas.

hubprod · CPU system timefaixa normal da horafora do normal
12,9% numa quinta às 0ho normal nesse horário fica entre 5,3% e 7,8%
segterquaquisexsábdom
Figura 8 · Uma semana de CPU com a faixa normal de cada hora e os pontos fora dela

Olhando várias semanas juntas, o ambiente revela a sua rotina. Horário que se repete em vermelho costuma ser backup, carga noturna ou virada de turno. Vale ajustar a regra ou investigar o problema que sempre volta na mesma hora.

menosmais saídas do normal
Figura 9 · Em que dia e hora o ambiente mais sai do normal, nas últimas quatro semanas
Capítulo 06

Sinais precursores de uma falha

Alguns equipamentos avisam antes de cair. A fila de disco sobe na véspera, a memória livre some aos poucos, a latência do link oscila. Para encontrar esse aviso, olhe a janela anterior a cada falha passada e procure a métrica que saiu do normal na maioria delas.

Quando o mesmo comportamento aparece antes de três de cinco falhas, ele vira um sinal precursor daquele equipamento. Se ele volta a acontecer, o risco sobe na hora, mesmo sem nenhuma falha nova.

db-loja-02 · fila de disco · últimos 60 diasfalhasaiu do normal antesagora
agoraa fila saiu do normal de novo
há 60 diashá 30 diashoje
Figura 10 · Uma métrica que saiu do normal antes de três das cinco falhas e acabou de sair de novo
Muita falha não dá sinal antes. Um mapa de risco confiável diz isso abertamente, em vez de inventar um aviso.
Capítulo 07

Previsão de capacidade: datas com margem de erro

Disco, memória, CPU e link têm uma vantagem sobre as falhas: crescem de forma mais previsível. Projetando a tendência dos últimos meses, dá para estimar quando cada recurso passa do limite.

A estimativa útil é uma janela, com a data mais provável e as datas mais cedo e mais tarde. Quando o crescimento não tem ritmo firme, a resposta correta é "tendência incerta", sem data. Uma data inventada leva a compra de emergência ou a compra desnecessária.

srv-arquivos-01 · partição de dadosuso realprojeção e margem
~10 dias · 25/outentre 24/out e 28/out
limite 90%
há 45 diashoje · 79%+15 dias
Figura 11 · Projeção de uso de uma partição de dados com a margem de erro
hoje7 dias14 dias30 dias60 dias90 dias
srv-arquivos-01Disco · partição de dados
~10 dias
db-loja-02Disco · log de transação
~19 dias
vcenter-sp01Datastore SSD-02
~34 dias
link-filial-curitibaLink · banda de saída
~52 dias
srv-erp-01Memória
~70 dias
data mais provávelda mais cedo à mais tarde
Figura 12 · Quando cada recurso chega ao limite: o ponto é a data mais provável e a barra vai da mais cedo à mais tarde
Capítulo 08

Feche o ciclo: registre e confira

Um mapa de risco só melhora a operação se o time registrar o que fez e conferir o resultado. Depois de uma troca de disco ou de um ajuste de configuração, as falhas antigas daquele equipamento devem pesar menos na conta.

A conferência vem nas duas semanas seguintes. Se o equipamento falhar de novo nesse prazo, a ação não resolveu e ele volta ao topo da lista com essa informação.

A ação resolveurisco caiu de 84 para 30
há 45 diasação registradahoje
A ação não resolveufalhou de novo em 8 dias
há 45 diasação registradahoje
Figura 13 · Dois desfechos depois de uma ação registrada
Capítulo 09

Como montar um mapa de risco?

Dá para começar com uma planilha. Muita equipe começa assim. A planilha deixa de funcionar quando o ambiente passa de algumas dezenas de ativos ou quando os eventos vêm de mais de uma ferramenta. O caminho é o mesmo nos dois casos.

  1. 1

    Liste os serviços de TI e o que sustenta cada um

    ERP, loja, filiais, acesso remoto. Para cada serviço, os servidores, bancos, links e equipamentos de rede dos quais ele depende. Sem isso, não existe impacto para cruzar com a chance.

  2. 2

    Junte 90 dias de eventos de todas as ferramentas

    Falhas e trocas de estado de cada ativo, venham do Zabbix, do OpMon, do Datadog ou de outra ferramenta. Ferramentas separadas escondem o equipamento que falha um pouco em cada uma.

  3. 3

    Calcule os quatro sinais por equipamento

    Frequência comparada à média, recência da última falha, instabilidade da semana e tendência dos últimos 30 dias contra os 60 anteriores.

  4. 4

    Dê peso ao impacto pelo serviço

    Uma escala simples de cinco níveis, de mínimo a crítico, definida pelo que para quando o serviço para: receita, usuários ou contrato.

  5. 5

    Ordene, explique e revise toda semana

    A lista só ganha confiança do time se cada posição vier com o motivo. Quinze minutos por semana bastam para decidir o que entra na próxima janela.

  6. 6

    Registre as ações e confira o resultado

    Anote o que foi feito em cada equipamento e acompanhe as duas semanas seguintes. Se ele falhar de novo, a ação não resolveu.

Capítulo 10

Seis erros comuns

  • Ordenar a infraestrutura pelo número de alertas. Alerta mede barulho e diz pouco sobre a chance de uma queda.
  • Tratar todos os equipamentos com o mesmo peso. O servidor de testes e o banco do ERP pedem atenção diferente.
  • Confiar só em limite fixo. Ele não enxerga o desvio que acontece longe do limite, na hora em que ninguém espera.
  • Aprender o normal em semana atípica. Black Friday e feriados contaminam a linha de base se entrarem na conta.
  • Prever capacidade pela média diária. O recurso satura no pico. A média esconde o pico.
  • Registrar a ação e não conferir depois. Sem a conferência, o time não sabe se resolveu ou só adiou.
Capítulo 11

Glossário

Linha de base
O comportamento normal de uma métrica em cada hora da semana, aprendido com as semanas anteriores.
Outlier
Um valor fora da faixa normal para aquele dia e hora, mesmo que esteja longe de qualquer limite configurado.
Oscilação (flapping)
Troca repetida entre normal e problema num intervalo curto. É um dos sinais mais comuns antes de uma queda definitiva.
Sinal precursor
Um comportamento que costuma aparecer antes das falhas de um equipamento específico, como a fila de disco subir na véspera.
Matriz de risco
A grade que cruza chance e impacto em cinco níveis cada. Serve para filtrar e explicar a lista.
Projeção de capacidade
A estimativa da data em que um recurso passa do limite, entregue com a janela mais cedo e mais tarde.
Serviço de TI
O que o negócio enxerga, como ERP ou loja virtual, com a árvore dos equipamentos que o sustentam.
Como o KeepGreen faz

Tudo isso calculado sozinho, todo dia, com os dados que você já tem.

O KeepGreen roda algoritmos avançados que analisam 90 dias de falhas, oscilações e métricas de cada equipamento e calculam a chance de ele dar problema no próximo mês. A chance é cruzada com o impacto no serviço de TI que ele sustenta. Cada item traz o motivo das possíveis falhas e o risco para a operação.

  • Lê o monitoramento que você já usa: KeepMonitor, Zabbix, OpMon, Datadog e PRTG
  • Lista em ordem de risco, com o motivo e a confiança de cada item
  • Outliers por hora da semana, sinais precursores e previsão de capacidade na mesma tela
  • Conectado no mesmo dia pelo nosso time, sem instalar nada nos equipamentos
Os mais arriscados · próximos 30 diasordem pela conta de chance × impacto
1
KeepMonitorsrv-erp-01piorandoMuito alto
Falhou 38 vezes em 90 dias, 6× a média do ambiente. A última falha foi há 1 dia.impacto em ERP
2
Zabbixsrv-arquivos-01vai estourarMuito alto
A partição de dados chega a 90% em ~10 dias, por volta de 25/out.impacto em Arquivos
3
Datadogdb-loja-02sinal acesoAlto
A fila de disco saiu do normal. Isso apareceu antes de 3 das 5 últimas falhas.impacto em Loja Online
4
PRTGlink-filial-curitibapiorandoAlto
Caiu 9 vezes em 30 dias, contra 1 nos 60 dias anteriores.impacto em Filial Curitiba
5
KeepMonitorvcenter-sp01Alto
Trocou de estado 61 vezes nesta semana, contra 14 numa semana normal.impacto em Virtualização
6
OpMonfw-matrizMédio
Oscilou 64 vezes nesta semana. A última falha foi há 19 dias.impacto em Acesso remoto
Perguntas frequentes

Perguntas sobre mapa de risco de TI

O que é um mapa de risco de infraestrutura de TI?

É uma visão que ordena servidores, bancos de dados, links e equipamentos de rede pela chance de falharem nas próximas semanas e pelo impacto que essa falha teria nos serviços de TI. Ele complementa o monitoramento, que mostra o que está quebrado agora.

Qual a diferença entre mapa de risco e matriz de risco?

A matriz de risco é a grade que cruza chance e impacto em níveis. O mapa de risco é a visão completa: a lista em ordem, o motivo de cada posição, a matriz como filtro e a previsão de capacidade.

Dá para prever falhas de servidor?

Dá para estimar a chance de um servidor falhar a partir do histórico de falhas, da oscilação e das métricas. Alguns equipamentos mostram um sinal precursor antes de cair. Muitas falhas não dão sinal antes. Nesses casos a estimativa vem só do histórico.

Quanto histórico é preciso para montar um mapa de risco?

Noventa dias costumam bastar. Com menos tempo a estimativa existe, mas deve vir marcada com confiança baixa. A linha de base de uma métrica leva cerca de uma semana para aprender o normal de cada hora.

O que é um outlier em monitoramento de infraestrutura?

É um valor fora da faixa normal para aquele dia da semana e aquela hora. Um CPU em 13% numa quinta à meia-noite pode ser um desvio forte, mesmo longe de qualquer limite configurado.

Como fazer previsão de capacidade de servidores?

Projetando a tendência de uso de cada recurso e entregando uma janela de datas em vez de uma data única. O pico importa mais que a média. Quando o crescimento não tem ritmo firme, a previsão deve dizer que a tendência é incerta.

O KeepGreen substitui a minha ferramenta de monitoramento?

Não. O KeepGreen lê os dados que o seu monitoramento já coleta e calcula o mapa de risco em cima deles. A conexão é feita pelo nosso time no mesmo dia.

OS
Sobre este guia

Escrito pelo time de SRE da OpServices, empresa por trás do OpMon e da suíte Keep. O conteúdo parte do que vemos no nosso dia a dia, na operação de monitoramento de infraestrutura de clientes. Os números dos exemplos são meramente ilustrativos.

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