O que são Logs no Contexto da Observabilidade?

Logs

Se a métrica diz “o sistema está lento” e o trace diz “a lentidão está no banco de dados”, é o Log que diz “o erro foi causado por uma Deadlock found when trying to get lock“. No tripé da observabilidade, os logs são a verdade granular e imutável sobre o que aconteceu em um momento específico do tempo. Eles são a caixa-preta da sua infraestrutura.

Para equipes de operações e desenvolvedores, os logs deixaram de ser apenas arquivos de texto esquecidos em /var/log para se tornarem streams de dados vitais. Sem uma estratégia robusta de gestão de logs, a análise de causa raiz (RCA) torna-se um jogo de adivinhação. Neste artigo, exploraremos a anatomia de um log moderno, a transição para logs estruturados e como transformar terabytes de texto em inteligência operacional.

 

A Definição Técnica: O Que é um Log?

Em sua essência mais pura, um log é um registro imutável de um evento discreto que ocorreu em um sistema. Diferente de métricas (que são agregadas e comprimíveis) ou traces (que mostram o caminho de uma requisição), os logs são descritivos e de alta fidelidade.

Um log eficaz deve responder a três perguntas fundamentais:

  • Quando: O timestamp preciso (de preferência em UTC e ISO 8601).
  • Onde: O contexto (hostname, nome do serviço, linha de código).
  • O Que: A mensagem do evento e o nível de severidade (DEBUG, INFO, WARN, ERROR, FATAL).

A metodologia 12-Factor App define que logs devem ser tratados como fluxos de eventos (streams), não como arquivos estáticos. A aplicação não deve se preocupar com o armazenamento ou rotação; ela deve apenas escrever para o stdout/stderr, deixando a captura para a infraestrutura.

 

Logs Estruturados vs. Não Estruturados

O maior salto de maturidade em engenharia de confiabilidade é o abandono dos logs não estruturados.

Logs Não Estruturados (Legado):
`2023-10-27 10:00:00 Error user 123 failed login`
Para analisar isso, você precisa de expressões regulares (Regex) complexas. Se o desenvolvedor mudar a palavra “Error” para “Failure”, seu monitoramento quebra.

Logs Estruturados (Moderno):
`{"timestamp": "2023-10-27T10:00:00Z", "level": "ERROR", "event": "login_failed", "user_id": 123, "ip": "192.168.1.1"}`

Ao adotar formatos como JSON, o log torna-se consultável como um banco de dados. Você pode filtrar facilmente por `event=”login_failed”` ou agrupar por `user_id`, permitindo uma indexação muito mais eficiente em ferramentas de gerenciamento de logs.

 
 

Análise de Logs

Coletar logs estruturados é apenas o primeiro passo; o valor real para o negócio surge na análise proativa. Ferramentas modernas de monitoramento em tempo real não tratam logs como ilhas isoladas de informação, mas os correlacionam diretamente com métricas de performance e disponibilidade.

Ao integrar a análise de logs em dashboards unificados, engenheiros de SRE ganham a capacidade de investigar o “porquê” (logs) imediatamente após detectar o “o quê” (métricas). Por exemplo, um pico de uso de CPU (métrica) pode ser correlacionado visualmente no mesmo painel com logs de “Full Garbage Collection” da aplicação Java, reduzindo drasticamente o tempo de diagnóstico.

Além da visualização, a análise automatizada permite a criação de alertas inteligentes baseados em padrões de texto (Log-based Alerting). Em vez de esperar o servidor parar de responder, o sistema pode disparar um alerta preventivo se a taxa de logs contendo a string Connection Refused ou códigos de erro HTTP 500 ultrapassar 1% do volume total em uma janela de 5 minutos.

 

O Desafio do Volume e a Gestão de Custos

O problema dos logs é que eles podem consumir muitos recursos. Uma única aplicação pode gerar gigabytes de logs por dia. Armazenar tudo isso em “hot storage” para indexação é financeiramente inviável.

Estratégias de retenção e tiering são obrigatórias:

  • Hot Storage (SSD): Logs dos últimos 7 a 14 dias, prontos para busca instantânea durante incidentes.
  • Cold Storage (S3/Glacier): Logs arquivados para conformidade e auditoria, com custo de armazenamento baixo, mas recuperação lenta.
  • Amostragem (Sampling): Em ambientes de desenvolvimento ou para logs de nível DEBUG, pode-se optar por gravar apenas uma porcentagem dos eventos para reduzir o ruído.

 

Centralização e Agregação de Logs

Em arquiteturas de microsserviços e containers, os logs são efêmeros. Se um container morre, o log local morre com ele. Por isso, a centralização é mandatória. A arquitetura padrão envolve:

1. Coletor (Shipper): Agentes como Fluentd, Logstash ou Vector que rodam no nó e capturam o output.
2. Buffer: Uma fila (como Kafka) para segurar os logs em caso de pico, evitando perda de dados.
3. Indexador/Armazenamento: Onde os dados são guardados (Elasticsearch, Loki, Splunk).
4. Visualização: A interface para o humano (Kibana, Grafana).

Essa pipeline garante que, independentemente da escala da infraestrutura, o desenvolvedor tenha um único local para buscar erros, correlacionando-os com telemetria de outras fontes.

 

Logs de Auditoria e Segurança (SIEM)

Além da depuração técnica, os logs são a base da segurança da informação. Logs de auditoria registram “quem fez o quê”. A imutabilidade aqui é crítica para conformidade legal (LGPD, PCI-DSS).

Integrar seus logs de infraestrutura com sistemas de SIEM (Security Information and Event Management) permite detectar padrões de ataque, como múltiplas falhas de login (Brute Force) ou acessos a horários anômalos, transformando o log em uma ferramenta de defesa ativa.

 
Observabilidade

 

Conclusão

No contexto da observabilidade, os logs são a última linha de defesa para entender o comportamento do sistema. Enquanto dashboards mostram tendências e alertas avisam sobre sintomas, são os logs que contam a história detalhada do problema.

Investir na padronização (JSON), centralização e rotinas de limpeza de logs não é apenas uma tarefa de “faxina” de TI; é a construção da base de conhecimento necessária para reduzir o MTTR e permitir que suas equipes de SRE foquem na engenharia, e não na arqueologia digital.

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Trabalho há mais de 10 anos no mercado B2B de tecnologia e hoje atuo como líder de um time de Business Intelligence, responsável por entregar projetos que lidam com pipelines completos de dados: desde a extração e coleta até o tratamento e disponibilização para as áreas de negócio com data visualization.

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