Inventário no GLPI: Discovery, CMDB e GLPI Agent

Saber exatamente o que existe no parque de TI é o ponto de partida de qualquer operação madura. Sem um inventário confiável, a equipe trabalha no escuro: não sabe quantas máquinas existem, quais softwares rodam nelas nem quando um contrato vence.

O inventário no GLPI resolve esse problema com coleta automática. A partir do GLPI 10, a plataforma traz inventário nativo pelo GLPI Agent, que substitui o antigo FusionInventory e descobre ativos com ou sem agente instalado.

Neste guia você vai ver o que o GLPI inventaria, como migrar do FusionInventory para o GLPI Agent, como implantar a coleta em massa e como transformar esses dados na base do seu CMDB. O foco é prático: do primeiro ativo descoberto ao chamado vinculado a ele.

O que o GLPI inventaria

O GLPI vai muito além de uma simples lista de computadores. Ele monta um retrato completo do ambiente, atualizado de forma automática, que vira base para chamados, contratos e decisões de compra.

Antes de configurar a coleta, vale entender o que a ferramenta enxerga. No hardware, o sistema registra processador, memória, disco, número de série e fabricante de cada equipamento.

No software, ele lista programas instalados, versões e licenças, o que ajuda a flagrar instalações irregulares. Na camada de rede, o GLPI descobre switches, roteadores, impressoras e outros dispositivos com suporte a SNMP.

Além disso, a coleta alcança periféricos como monitores e dispositivos conectados a cada estação. Centralizar tudo em um só lugar muda o jogo, porque substitui planilhas soltas que envelhecem rápido por uma fonte única de verdade.

Essa fonte única eleva a qualidade dos dados. Como a coleta roda sozinha, o GLPI reconcilia o que mudou a cada ciclo e aposenta registros obsoletos. Dessa forma, o inventário reflete o ambiente real, não o que alguém digitou meses atrás.

Sem esse controle, surgem os custos invisíveis. Licenças pagas sem uso, equipamentos esquecidos no estoque e aparelhos fora da política de segurança drenam o orçamento. O inventário automático expõe esses pontos cegos com números, não com achismo.

Para entender o papel dessa base dentro da plataforma, vale revisar o que é o GLPI como solução de ITSM open source.

GLPI Agent x FusionInventory: o que mudou no GLPI 10

Quem usa o GLPI há alguns anos lembra do FusionInventory, o plugin que trazia o inventário automático. A partir do GLPI 10, esse papel passou para o GLPI Agent, agora nativo na plataforma.

A mudança não é apenas de nome. A Teclib, mantenedora do projeto, integrou o código do FusionInventory ao núcleo do GLPI e batizou o sucessor de GLPI Agent. Por isso, os dois compartilham a mesma origem e a migração costuma ser tranquila.

Antes do GLPI 10, existia ainda o OCS Inventory como alternativa de coleta. A consolidação no GLPI Agent encerrou essa fragmentação, porque hoje há um caminho oficial mantido pela própria fabricante. Isso reduz o risco de ficar preso a um plugin sem suporte.

Na prática, um agente FusionInventory antigo ainda consegue enviar dados para o GLPI 10. Ainda assim, o caminho recomendado é adotar o GLPI Agent, que recebe as atualizações e as correções atuais. Você pode acompanhar essa evolução na página oficial do projeto.

AspectoFusionInventoryGLPI Agent
DisponibilidadePlugin externo (GLPI 9.x e anteriores)Nativo a partir do GLPI 10
ManutençãoAtualizações esporádicasMantido pela Teclib, em evolução
Agente usadoAgente FusionInventoryGLPI Agent (sucessor direto)
CompatibilidadeBase de código originalLê dados de agentes FusionInventory antigos
Quando usarCenário legado, migrar quando possívelPadrão para novos projetos

 
Vale destacar um detalhe que pega muita gente de surpresa: o inventário não vem ligado por padrão. Você precisa habilitar a função no menu Administração > Inventário antes de qualquer coleta começar.

Inventário com agente: instalação e deploy em massa

Para inventariar uma máquina com agente, você instala o GLPI Agent nela e aponta para o endereço do servidor. O agente roda em segundo plano, coleta os dados e os envia no intervalo configurado.

O GLPI Agent funciona em Windows, Linux e macOS. Em poucas máquinas, a instalação manual resolve. No entanto, instalar agente a agente em centenas de estações não escala nem faz sentido.

Na maioria dos casos, o agente roda como serviço do sistema operacional. Ele acorda no horário definido, coleta o inventário e volta a dormir, sem pesar na máquina nem incomodar o usuário.

Deploy em massa com GPO

É aqui que entra o deploy em massa. Em ambientes Windows com Active Directory, você distribui o pacote .msi do GLPI Agent por GPO, com instalação silenciosa, para todas as estações de uma vez.




terminal
# instalacao silenciosa do GLPI Agent via MSI
msiexec /i GLPI-Agent-x64.msi /quiet SERVER=https://glpi.suaempresa.com.br TAG=matriz

 
O parâmetro SERVER define para onde o agente envia o inventário. Já a TAG separa os ativos por filial, setor ou contrato, o que organiza a base desde o primeiro dia.

A própria Microsoft documenta como distribuir software por GPO, o que facilita a vida de quem administra muitas máquinas. Depois da instalação, confira a frequência da coleta, que por padrão roda a cada 24 horas.

Como verificar a primeira coleta

Depois de instalar o agente, confirme se os dados chegaram. No menu Administração > Inventário, o GLPI mostra os agentes ativos e a data do último envio de cada um.

Se um ativo não aparecer, revise três pontos comuns. Primeiro, cheque se o inventário está habilitado no servidor. Depois, valide o endereço configurado no agente. Por fim, confirme que o firewall libera a comunicação com o GLPI.

Descoberta sem agente: SNMP, WinRM e SSH

Nem todo ativo aceita um agente. Switches, roteadores, impressoras e nobreaks não rodam software de terceiros. Para esses casos, o GLPI usa a descoberta sem agente.

O processo tem duas fases. Primeiro, a descoberta de rede varre faixas de IP e identifica o que responde. Em seguida, o inventário coleta os detalhes de cada dispositivo encontrado.

Cada tipo de alvo pede um protocolo diferente. O SNMP atende equipamentos de rede, enquanto o WinRM alcança estações Windows e o SSH cobre servidores Linux sem agente instalado.

MétodoAlvo típicoO que coleta
Com agenteDesktops, notebooks e servidoresHardware, software e licenças, com o maior nível de detalhe
SNMPSwitches, roteadores, impressoras e nobreaksModelo, firmware, portas e contadores de uso
WinRMEstações Windows sem agenteInventário remoto, sem instalar software
SSHServidores Linux e Unix sem agenteInventário remoto via credencial de acesso

 
A descoberta por SNMP merece atenção especial. Com ela, o GLPI mapeia a topologia de rede, relaciona portas de switch a equipamentos e revela dispositivos que ninguém sabia que existiam.

Para a descoberta funcionar, o agente precisa do módulo de netdiscovery instalado e de acesso à rede dos alvos. Vale rodar esse agente na mesma sub-rede dos dispositivos, já que assim ele consulta a tabela ARP local e enxerga mais equipamentos.

No caso do SNMP, prefira a versão 3 sempre que possível. Ela adiciona autenticação e criptografia, o que protege as credenciais usadas na coleta. As versões 1 e 2 ainda funcionam para equipamentos mais antigos.

Para configurar esses protocolos sem erro, vale seguir a documentação oficial do agente, que detalha cada módulo de descoberta e os requisitos de credencial.

Do inventário ao ITAM e CMDB

Coletar dados é só o começo. O valor real aparece quando o inventário vira insumo para a gestão de ativos de TI, a disciplina que acompanha cada equipamento do recebimento ao descarte.

Com a base populada, o GLPI controla o ciclo de vida completo. Você associa contratos, garantias e licenças a cada ativo, recebe alertas de vencimento e planeja trocas com dados concretos em mãos.

Esse acompanhamento se conecta ao controle de ativos de TI no dia a dia. Em vez de auditorias manuais uma vez por ano, a equipe enxerga o parque em tempo real e age sobre desvios na hora.

Quando você organiza os ativos e as relações entre eles, chega ao conceito de o que é um CMDB. O GLPI registra dependências, por exemplo qual servidor sustenta qual sistema, o que acelera a análise de impacto durante incidentes.

Gestão de contratos e auditoria

O inventário também sustenta o lado financeiro da TI. Com cada ativo ligado a contratos, garantias e notas fiscais, o gestor enxerga quanto custa manter o parque e quando renovar ou aposentar um equipamento.

Na hora da auditoria, esse histórico vira prova. Em vez de reunir evidências às pressas, a equipe extrai relatórios de licenças, posse e ciclo de vida direto do GLPI. Assim, comprovar compliance deixa de ser um sufoco.

Por fim, os dados de software inventariado alimentam o processo de patch management. Saber quais versões rodam em cada máquina é o primeiro passo para corrigir vulnerabilidades antes que virem incidente.

Inventário + monitoramento: do ativo descoberto ao chamado

Um ativo bem inventariado não fica parado num cadastro. Ele ganha vida quando se conecta ao atendimento. No GLPI, o técnico vincula o equipamento afetado ao chamado e consulta histórico, garantia e configuração sem trocar de tela.

Essa ponte entre ativo e suporte fica clara na gestão de chamados no GLPI. Quando o atendente vê o que o usuário tem em mãos, ele diagnostica mais rápido e erra menos na triagem.

Há ainda um passo além do inventário. O GLPI sabe que um ativo existe, porém não acompanha a saúde dele em tempo real. É aí que entra o monitoramento, com uma plataforma como o OpMon observando os mesmos equipamentos que o GLPI cataloga, do monitoramento de servidores às aplicações críticas.

Esse cruzamento de dados rende ganhos concretos no dia a dia. Quando um alerta de indisponibilidade dispara, o operador já sabe qual ativo falhou, quem é o responsável e qual contrato cobre o reparo, tudo na mesma base.

Inventário e monitoramento se completam. O primeiro responde o que você tem, enquanto o segundo mostra como cada item se comporta. Juntos, eles dão à TI uma visão de ativos viva, não apenas uma foto estática que envelhece a cada dia.

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Conclusão

O inventário no GLPI deixa de ser uma planilha que ninguém atualiza quando você ativa a coleta automática. Com o GLPI Agent nativo, a descoberta sem agente e a ligação com o CMDB, a TI passa a confiar em uma base viva, fiel ao que existe de verdade no ambiente.

O caminho é direto. Primeiro, habilite o inventário e escolha entre agente ou descoberta de rede. Depois, conecte os ativos a contratos, chamados e ao monitoramento. Comece pequeno, valide a coleta em um grupo de máquinas e expanda com confiança para o parque inteiro. Cada etapa transforma dados soltos em decisões melhores de compra, suporte e segurança.

Se a sua equipe ainda mantém o inventário na mão, a OpServices ajuda a virar essa chave. Conheça a implementação de GLPI da OpServices ou fale com os nossos especialistas para montar um inventário automático que sustenta todo o ciclo de vida dos seus ativos.


Perguntas Frequentes

O que é o GLPI Agent e para que ele serve?
O GLPI Agent é o programa de inventário nativo do GLPI a partir da versão 10. Ele roda em cada máquina, coleta dados de hardware, software e rede e envia tudo para o servidor GLPI no intervalo configurado. É o sucessor do agente FusionInventory e funciona em Windows, Linux e macOS. Com ele, a equipe mantém um retrato atualizado do parque sem cadastrar nada na mão.
Qual a diferença entre o GLPI Agent e o FusionInventory?
A principal diferença é que o GLPI Agent é nativo e o FusionInventory era um plugin externo. Até o GLPI 9.x, o inventário automático dependia do plugin FusionInventory ou do OCS Inventory. No GLPI 10, a Teclib levou esse código para o núcleo da plataforma e criou o GLPI Agent. Como os dois nascem da mesma base, um agente FusionInventory antigo ainda envia dados, mas o caminho recomendado é migrar para o GLPI Agent, que recebe as atualizações atuais.
Como ativar o inventário automático no GLPI 10?
Para ativar o inventário automático no GLPI 10, acesse Administração > Inventário e marque a opção de habilitar o inventário. Por padrão, essa função vem desativada, então nenhum dado chega antes de ligá-la. Em seguida, defina a frequência da coleta e instale o GLPI Agent nas máquinas, apontando para o endereço do servidor. A partir daí, os ativos começam a aparecer sozinhos na base.
O GLPI faz inventário sem instalar agente?
Sim, o GLPI faz inventário sem agente por meio da descoberta de rede. Primeiro, ele varre faixas de IP e identifica os dispositivos que respondem. Depois, coleta os detalhes por protocolos: SNMP para switches e impressoras, WinRM para estações Windows e SSH para servidores Linux. Essa abordagem cobre justamente os equipamentos que não aceitam um agente instalado, o que completa o inventário do ambiente.

Trabalho há mais de 15 anos no mercado B2B de tecnologia e hoje atuo como Gerente de Marketing da OpServices e Líder em Projetos de Governança para Inteligência Artificial.

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