Licenciamento Power BI: Free, Pro, PPU e capacidade Fabric em 2026
Boa parte do conteúdo em português sobre o assunto ainda descreve o Power BI Premium por capacidade como opção de compra. Ela saiu de venda. Quem monta orçamento com base nesse material chega ao fornecedor pedindo uma SKU que não existe mais no catálogo.
O licenciamento do Power BI passou a ser administrado dentro do Microsoft Fabric. São dois eixos que se combinam: a licença de cada pessoa e a capacidade contratada pela empresa. Errar a combinação custa caro dos dois lados, seja pagando licença individual demais, seja contratando capacidade que fica ociosa.
Este artigo separa os dois eixos e mostra os limites concretos de cada opção. Ele traz também o número que decide a maior parte dos casos: o corte do F64.
O que mudou no licenciamento do Power BI
O licenciamento do Power BI tem hoje duas dimensões independentes. A primeira é a licença por usuário, que pode ser gratuita, Pro ou Premium por Usuário. A segunda é a capacidade, contratada pela organização em SKUs do Fabric. O que cada pessoa consegue fazer resulta do cruzamento das duas, nunca de uma isolada.
A mudança estrutural veio das SKUs P. A Microsoft encerrou a venda do Premium por capacidade para clientes novos em julho de 2024. A renovação para clientes sem Enterprise Agreement terminou em janeiro de 2025.
As datas por tipo de contrato estão no comunicado oficial de descontinuação. Quem opera com Enterprise Agreement tem prazo até o fim do acordo vigente.
Na conversão, quem tinha P1 migra para F64 e quem tinha P2 vai para F128. A tabela de equivalência de unidades de capacidade cobre o resto da escala. Além do nome, muda o modelo comercial: a capacidade Fabric aceita cobrança conforme o uso e pode ser pausada, o que a P nunca permitiu.
As três licenças por usuário: Free, Pro e PPU
A licença por usuário responde a uma pergunta só. Ela define o que a pessoa publica e com quem ela compartilha. Consumir conteúdo é outra história, resolvida pela capacidade.
| Dimensão | Free | Pro | PPU |
|---|---|---|---|
| Onde publica | Só no próprio workspace | Qualquer workspace Pro | Workspace Pro e workspace PPU |
| Com quem compartilha | Ninguém | Outros usuários Pro | Outros usuários PPU |
| Tamanho do modelo semântico | Até 1 GB | Até 1 GB | Acima de 1 GB |
| Atualizações por dia | Limite do workspace compartilhado | Limite do workspace compartilhado | 48 |
| Endpoint XMLA | Não | Não | Sim |
| Cria item Fabric não Power BI | Só com capacidade F | Só com capacidade F | Só com capacidade F |
Além dos números, duas leituras dessa tabela costumam surpreender. A primeira é que a licença gratuita não compartilha nada: ela serve para uso pessoal, não para distribuir relatório. A segunda é que o PPU não provisiona capacidade Fabric. Ou seja, lakehouse, warehouse e notebook continuam exigindo uma SKU F, mesmo com todo mundo em PPU.
Gravamos há alguns anos uma explicação sobre a licença por usuário, antes da chegada do Fabric. Os nomes das telas e os preços mudaram desde então, contudo a lógica de quem publica e quem consome continua igual à do vídeo.
Capacidade: quando a conta por usuário para de fechar
A capacidade é um pool de recursos dedicado, contratado pela empresa e medido em unidades de capacidade. Ela define quanta memória cada modelo semântico ocupa e quantas atualizações rodam em paralelo. Define ainda quantas consultas em modo direto a plataforma aguenta ao mesmo tempo.
| SKU Fabric | Equivale a | Memória máxima por modelo | Usuário gratuito consome? |
|---|---|---|---|
| F2 a F8 | EM1/A1 no F8 | 3 GB | Não |
| F16 | EM2/A2 | 5 GB | Não |
| F32 | EM3/A3 | 10 GB | Não |
| F64 | P1/A4 | 25 GB | Sim, com papel de visualizador |
| F128 | P2/A5 | 50 GB | Sim |
| F256 | P3/A6 | 100 GB | Sim |
| F512 a F1024 | P4/A7 e P5/A8 | 200 GB e 400 GB | Sim |
A tabela completa, com paralelismo de atualização e limites de conexão direta por SKU, está na documentação de licenças da plataforma. Vale consultar antes de dimensionar, principalmente se o modelo passa de alguns gigabytes.
O corte do F64
Antes de tudo, esse número decide a maior parte dos orçamentos. Em capacidade F64 ou maior, quem só consome relatório precisa apenas da licença gratuita, desde que tenha papel de visualizador no workspace. Abaixo de F64, cada consumidor de conteúdo Power BI precisa de licença Pro ou PPU individual.
Só que a regra de licença não é a conta toda. Medimos o preço da capacidade em 03/09/2026 e comparamos com o das licenças. Uma empresa com 400 leitores gasta R$ 32.080,00 por mês em licenças Pro. A mesma empresa numa F64 reservada, em contrapartida, gasta R$ 40.202,70 sem licenciar leitor nenhum.
Ou seja, a F64 sai R$ 8.122,70 por mês mais cara nesse cenário. Ela só se paga acima de 502 leitores. O ponto de virada, no entanto, muda conforme a licença que ela substitui. A tabela abaixo traz os dois cortes.
| Cenário em Brazil South | Conta por mês | O que o número decide |
|---|---|---|
| 400 leitores em Pro, sem capacidade | R$ 32.080,00 | Modelo semântico limitado a 1 GB e nenhuma carga Fabric |
| F64 reservada, leitor sem licença | R$ 40.202,70 | Custa R$ 8.122,70 a mais que as 400 licenças Pro |
| Empate da F64 contra licenças Pro | 502 leitores | Abaixo disso, licenciar pessoa a pessoa sai mais barato |
| Empate da F64 contra licenças PPU | 293 usuários | A documentação global cita 250 sem informar a região |
Por outro lado, o caminho inverso também existe. A documentação da Microsoft aponta o PPU como mais econômico abaixo de 250 usuários. Com o preço de Brazil South, esse corte sobe para 293. A ressalva é o escopo: vale quando a necessidade fica em recursos Premium do Power BI, sem cargas Fabric.
Sobre a lógica de capacidade, o vídeo abaixo explica o modelo por capacidade em oposição ao modelo por usuário. Ele é anterior ao Fabric, portanto trate os nomes de SKU como históricos e o raciocínio como atual.
Preço de tabela e o que ele não mostra
Os valores por usuário são públicos. Em nova consulta de 03/09/2026, a página oficial de preços em português mantinha o Pro a R$ 80,20 por usuário ao mês. O PPU seguia a R$ 137,40, igualmente no pagamento anual. Nenhum dos dois, vale destacar, inclui impostos.
Já a capacidade Fabric não tem preço fechado por SKU. Ela é vendida por unidade de capacidade a cada hora. Assim, o valor de uma F64 sai da tarifa da unidade multiplicada por 64. A tarifa está, inclusive, numa API pública da Azure, sem login e sem chave.
O script abaixo consulta essa API e imprime a conta mensal de cinco SKUs. A execução que gerou os números deste artigo foi de 03/09/2026, com Node 20.
A F64 reservada custa R$ 40.202,70 por mês em São Paulo. No modelo pago conforme o uso, por outro lado, a mesma SKU vai a R$ 67.631,87. Portanto, a reserva de um ano corta 40,56% da conta.
Antes de assinar três anos, confira o desconto. A reserva mais longa cobra R$ 22.614,02 por unidade de capacidade. Dividido por três, isso dá os mesmos R$ 7.538,01 da reserva de um ano, ou seja, nenhum abatimento extra. Conferimos em quatro combinações de região e moeda, sem uma exceção sequer.
Outro ponto que a tabela esconde é a região. Isto é, a mesma capacidade custa valores diferentes conforme o datacenter escolhido.
| Região | Unidade de capacidade por hora | F64 por mês, reserva de 1 ano | Contra East US |
|---|---|---|---|
| East US | US$ 0,1800 | US$ 5.002,67 | referência |
| West Europe | US$ 0,2200 | US$ 6.112,00 | +22,2% |
| Brazil South | US$ 0,2800 | US$ 7.776,00 | +55,6% |
Em resumo, São Paulo cobra 55,6% a mais que East US pela mesma unidade de capacidade. Latência e residência de dados, por exemplo, costumam justificar a escolha. Ainda assim, o número precisa entrar no orçamento antes da assinatura.
Preço de tabela, contudo, é só uma parte da conta. Quatro custos ficam de fora dela e aparecem depois, já na operação.
| Custo que não está na tabela | Onde ele aparece |
|---|---|
| Licença de quem só lê | Abaixo de F64, cada leitor vira uma licença paga. É a linha que estoura o orçamento em empresa grande |
| Gateway de dados | O software é gratuito, a máquina que o hospeda não. Ela vira servidor de produção do pipeline |
| Capacidade ociosa | SKU F cobra por hora provisionada. Capacidade parada à noite continua na fatura se ninguém pausar |
| Modelo mal otimizado | Consome memória e unidades de capacidade a mais, empurrando a compra para a SKU seguinte sem necessidade |
Em geral, o último item costuma ser o mais caro. Antes de subir de SKU por falta de memória, verifique se o modelo cabe em menos.
Remover colunas não usadas, ajustar tipos e revisar granularidade costuma render mais que dobrar a capacidade. Esse trabalho está detalhado no artigo sobre otimização de performance no Power BI.
Quatro perguntas antes de assinar
Por fim, responda as quatro por escrito, com número, antes de levar a proposta para aprovação. Elas resolvem praticamente todo caso comum de dimensionamento.
| Pergunta | Como medir | O que a resposta define |
|---|---|---|
| Quantos publicam e quantos só leem? | Separe autores de consumidores na lista de acesso | Só os autores precisam de licença paga quando a capacidade é F64 ou maior |
| Qual o maior modelo semântico? | Tamanho do arquivo publicado, mais folga de atualização | Define o piso de SKU. A atualização chega a dobrar a memória usada pelo modelo |
| Vai usar carga Fabric além do Power BI? | Lakehouse, warehouse, notebook, pipeline no roteiro | PPU não serve: essas cargas exigem capacidade F |
| Qual a janela real de uso? | Horário de pico e horário morto da operação | Decide entre reserva anual e cobrança por uso com pausa programada |
O inventário que sustenta essas respostas é o mesmo de governança de dados. Ele registra quem publica o quê, para quem, com qual credencial e a partir de quais conectores do Power BI. Sem esse mapa, a negociação de licença vira estimativa.
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A licença que você consegue defender no orçamento
Em última análise, a escolha certa raramente é a mais barata da tabela. Ela é a que sustenta o número de leitores que a empresa realmente tem, com folga de memória para o maior modelo. Tudo isso sem pagar por capacidade parada metade do dia.
Na prática, duas armadilhas se repetem. A primeira é dimensionar pela lista de usuários nomeados, ignorando que abaixo de F64 cada leitor vira licença. A segunda é subir de SKU para resolver lentidão que era, na origem, modelo mal construído. Ambas aparecem no orçamento do ano seguinte, quando renegociar já custa mais.
Em resumo, o Power BI deixou de ser um produto com quatro planos. Ele virou uma decisão de arquitetura dentro do Microsoft Fabric.
Se a sua área de business intelligence está nesse ponto de virada, vale medir antes de assinar. Fale com um especialista da OpServices para dimensionar o seu cenário.
Perguntas Frequentes
Quais são os tipos de licença do Power BI?
Qual a diferença entre Power BI Pro e Premium por Usuário?
XMLA, que conecta ferramentas externas ao modelo. A restrição é de convivência: em workspace PPU, todos os participantes precisam de licença PPU. Além disso, o PPU não provisiona capacidade Fabric, então lakehouse, warehouse e notebook continuam exigindo uma SKU F.
