Mercado de TI no Brasil em números: quanto o país investe e para onde vai em 2026
O Brasil está entre os dez maiores mercados de tecnologia da informação do mundo. Trata-se também do maior da América Latina, com folga sobre México e Argentina. Ainda assim, 2026 marca uma virada: pela primeira vez em anos, o país deve crescer menos que a média global.
Nesse sentido, esta página reúne os números que sustentam esse retrato. Cada valor traz publicador, edição e data de consulta, porque dado de mercado sem procedência não sobrevive à primeira contestação em uma reunião de orçamento.
Antes de tudo, um aviso que quase nenhuma matéria sobre o tema faz: as três principais fontes do setor medem coisas diferentes. Portanto, seus números não se somam nem se dividem entre si. Voltamos a isso mais adiante.
Quanto vale o mercado de TI no Brasil?
O mercado de TI no Brasil movimentou US$ 67,8 bilhões em 2025, contra US$ 58,6 bilhões em 2024. O dado vem do estudo anual da ABES com a IDC.
Vale destacar que o crescimento superou a média global do período. Para 2026, no entanto, a projeção recua bastante, como mostra a tabela adiante. A consulta às fontes ocorreu em 9 de agosto de 2026.
Esse valor cobre hardware, software e serviços. Por outro lado, não inclui telecomunicações, o que explica boa parte das divergências entre manchetes.
| Ano | Investimento em TI | Edição que publicou o dado |
|---|---|---|
| 2021 | US$ 45,7 bi | Estudo ABES 2022 |
| 2022 | US$ 45,2 bi | Estudo ABES 2023 |
| 2023 | US$ 49,8 bi | Estudo ABES 2025 |
| 2024 | US$ 58,6 bi | Estudo ABES 2025 e 2026 |
| 2025 +18,5% | US$ 67,8 bi | Estudo ABES 2026 |
| 2026 projeção | +5,3% | Estudo ABES 2026 |
Vale um cuidado ao ler a série: valores de edições diferentes podem sofrer revisão retroativa da IDC. Por isso a última coluna existe.
Por que o crescimento desacelera em 2026
A projeção para 2026 coloca o país abaixo da média mundial. Segundo Jorge Sukarie Neto, conselheiro da ABES e responsável pelo estudo, é a primeira vez que isso acontece.
| Recorte | Crescimento em 2025 | Projeção para 2026 |
|---|---|---|
| Brasil | 18,5% | 5,3% |
| Média mundial | 14,1% | 9,7% |
Os motivos apontados pelo estudo combinam economia e calendário. Aparecem, por exemplo, o déficit fiscal, a inflação resiliente, os juros altos e o agravamento de conflitos geopolíticos. Somado a isso, o calendário perdeu dias úteis com feriados e Copa do Mundo.
No entanto, a leitura da ABES não é de retração. É de maturidade. O discurso do estudo troca “digitalizar” por “extrair valor”: investimentos mais seletivos, foco em produtividade e racionalização de custos.
Na prática, isso muda o argumento de quem pede orçamento. Por exemplo, em 2024 valia dizer que a concorrência já tinha adotado. Em 2026, a pergunta na mesa é quanto a iniciativa devolve.
Como o investimento se divide entre hardware, software e serviços
O dado mais revelador do estudo não é o total. É a composição: o hardware ainda leva quase metade do investimento brasileiro em TI, uma proporção que mercados maduros já inverteram.
| Segmento | Participação no investimento brasileiro em TI |
|---|---|
| Hardware | 47,9% |
| Software | 32,1% |
| Serviços | 20% |
Aqui, quase metade do dinheiro continua indo para ativo físico. Isso puxa o gasto para o modelo de capital em vez do modelo de assinatura. Se essa distinção pesa no seu planejamento, vale revisar a diferença entre investimento de capital e despesa operacional antes de montar o próximo ciclo.
Para quem opera infraestrutura, esse número tem consequência direta. Na prática, servidor comprado vira depreciação, contrato de manutenção e capacidade ociosa. Em contrapartida, ele também vira previsibilidade de custo, algo que a fatura variável da computação em nuvem raramente entrega.
Quem compra tecnologia no Brasil
A demanda por software e serviços se concentra em poucas verticais. O setor financeiro lidera com folga. Assim, os três primeiros segmentos respondem por quase toda a movimentação relevante do mercado nacional.
| Vertical | Investimento em 2025 | Participação |
|---|---|---|
| Financeiro | US$ 8,99 bi | 25,4% do mercado de software e serviços |
| Serviços e telecomunicações | US$ 8,61 bi | Segundo maior comprador |
| Indústria | US$ 6,92 bi | Terceiro maior comprador |
| Três primeiros somados | n/d | Cerca de 70% do investimento em software e serviços |
| Demais setores | n/d por setor | Varejo, administração pública, óleo e gás, agronegócio |
Quanto às prioridades declaradas para 2026, o estudo ouviu executivos brasileiros e mediu onde o orçamento deve ir primeiro.
| Prioridade tecnológica para 2026 | Executivos que citaram |
|---|---|
| IA generativa e agentes de IA | 53% |
| Segurança da informação e segurança em nuvem | 41% |
| Inteligência artificial e Machine Learning | 35% |
| Infraestrutura de nuvem | 24% |
| Big Data e Analytics | 24% |
O mapa regional está mudando devagar
O Sudeste continua concentrando a maior parte dos aportes em TI, mas a fatia encolhe. Em treze anos, a região perdeu pouco menos de três pontos percentuais para Sul e Norte.
| Região | Participação em 2012 | Participação em 2025 |
|---|---|---|
| Sudeste | 65% | 62,37% |
| Sul | 12% | 15,86% |
| Norte | 2% | 3,12% |
| Nordeste | n/d | próximo de 8% |
Ou seja, a descentralização é real, porém lenta. Portanto, quem planeja presença regional deve tratar o Sudeste como centro de gravidade por um bom tempo.
Quem vende: 41.613 empresas e o peso das pequenas
O Brasil encerrou 2025 com 41.613 empresas atuando em software e serviços. Além disso, a estrutura é fortemente pulverizada, com micro e pequenas empresas dominando a contagem.
| Porte da empresa | Participação no total de empresas |
|---|---|
| Microempresas | 62,5% |
| Pequenas empresas | 31,8% |
| Médias empresas | 3,4% |
| Grandes empresas | 2,3% |
Em outras palavras, o setor brasileiro de software é feito de muitos fornecedores pequenos, não de poucos gigantes. Na prática, isso importa na hora de contratar. Quando a esmagadora maioria do mercado é micro ou pequena, avaliação de fornecedor deixa de ser formalidade e vira gestão de risco de continuidade.
O contexto global e a corrida por capacidade
O gasto mundial acelera. A projeção de julho da Gartner aponta US$ 6,37 trilhões neste ano.
Enquanto o Brasil desacelera, portanto, o mundo acelera. Sobretudo, o crescimento global se concentra em infraestrutura para inteligência artificial, como mostra a tabela abaixo.
| Segmento | 2025 (US$ bi) | 2026 (US$ bi) | Crescimento 2026 |
|---|---|---|---|
| Data center systems | 506 | 822 | 62,5% |
| Infraestrutura como serviço | 222 | 287 | 29,3% |
| Software | 1.271 | 1.468 | 15,5% |
| Dispositivos | 790 | 868 | 9,8% |
| Serviços de TI | 1.492 | 1.570 | 5,3% |
| Serviços de comunicação | 1.296 | 1.354 | 4,4% |
| Total | 5.577 | 6.369 | 14,2% |
Repare no contraste entre a linha de data center e a de serviços de TI. O dinheiro novo do mundo está indo para capacidade computacional, não para consultoria.
Cuidado: ABES, Gartner e Brasscom medem coisas diferentes
Este é o erro mais comum em apresentações que citam esses relatórios. As três fontes usam escopos e moedas distintos, portanto seus números não são comparáveis diretamente. Dessa forma, dividir um pelo outro produz uma conclusão errada com aparência de precisão.
| Fonte | O que ela mede | Número de referência |
|---|---|---|
| ABES com IDC | Investimento brasileiro em hardware + software + serviços, em dólares. Sem telecom. |
US$ 67,8 bi em 2025 |
| Gartner | Gasto mundial, incluindo communications services. Recorte global, não nacional. |
US$ 6,37 tri em 2026 |
| Brasscom | Macrossetor brasileiro de TIC em reais, incluindo telecom e produção industrial do setor. | R$ 919,7 bi em 2025, ou 7,2% do PIB |
O recorte da Brasscom acrescenta uma dimensão que a ABES não cobre: peso econômico.
Inclusive, o relatório setorial da associação mostra o macrossetor de TIC em 7,2% do PIB. O levantamento aponta ainda 2,125 milhões de empregos formais e até R$ 2 trilhões previstos entre 2026 e 2029.
O que esses números significam para quem opera infraestrutura
Três leituras práticas saem daí. Primeiro, com o hardware levando quase metade do investimento e o mundo correndo para data center, a pressão sobre capacidade continua. Ou seja, planejamento de capacidade deixa de ser exercício anual e vira rotina.
Segundo, orçamento apertado com IA em expansão significa conta de nuvem sob escrutínio. A disciplina de custo alcança inclusive a telemetria. Nesse sentido, a fatura da observabilidade costuma ser a primeira surpresa desagradável do ciclo.
Terceiro, segurança segue no topo das prioridades declaradas para este ano. Ainda assim, vale cruzar essa intenção com o que de fato acontece no país, algo que reunimos nos dados brasileiros de incidentes cibernéticos.
Por fim, se o argumento do próximo orçamento for eficiência operacional, o número que convence não é o tamanho do mercado. São os benchmarks de tempo de resposta a incidentes, que traduzem investimento em risco evitado.
Metodologia e como citar esta página
Todos os números desta página vêm de fonte primária. A consulta ocorreu em 9 de agosto de 2026. As três fontes usadas foram a ABES com a IDC, a Gartner e a Brasscom, cada uma linkada no ponto em que seus dados aparecem.
Além disso, assumimos três compromissos. Nenhum número aparece sem publicador e período de referência. Do mesmo modo, dados de anos anteriores vêm sempre datados de forma explícita. E o endereço desta página permanece o mesmo a cada atualização, para que links já publicados continuem funcionando.
Uma ressalva de precisão: a própria ABES publica o número da edição do estudo de forma divergente em duas páginas do site. Por isso citamos o estudo pelo nome e pelo ano, nunca pelo número da edição.
A revisão acompanha o calendário das fontes. Por exemplo, a ABES divulga em duas fases, normalmente em abril e junho. A Gartner atualiza a projeção a cada trimestre. A Brasscom publica o relatório setorial no primeiro semestre. Portanto, trate os totais aqui como foto datada.
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Conclusão
O retrato de 2026 não é de crise. É de mudança de regime. O Brasil sai de um ciclo em que crescer acima do mundo era quase automático. Em seguida, entra em outro, no qual cada real precisa justificar o retorno antes de sair do orçamento.
Os três números que resumem a virada cabem em uma linha. O país investiu forte em tecnologia no ano passado, deve desacelerar neste ano e ainda coloca quase metade do orçamento em hardware. Enquanto isso, o mundo despeja capital em capacidade computacional para inteligência artificial.
Para quem opera, a consequência é direta: mais carga sobre a mesma infraestrutura, com orçamento sob revisão mais dura. Dessa forma, visibilidade deixa de ser conforto e vira instrumento de defesa orçamentária.
Leve daqui um hábito antes de citar qualquer número de mercado: pergunte qual escopo ele usa, de que período é e quem o publicou. Quer discutir o que esses dados significam para a sua operação? Fale com um especialista da OpServices.

