Como migrar do OCS Inventory para o GLPI: agente, dados e a validação que fecha o projeto
Quem procura hoje como levar o inventário do OCS Inventory para o GLPI encontra o mesmo material de dez anos atrás. O primeiro resultado em português, por exemplo, ensina a instalar o GLPI 0.85.4 ao lado do OCS. Ele saiu em 2015. De lá para cá, portanto, a plataforma passou por dez versões maiores.
O problema não é a idade do texto. É que a pergunta mudou. Em 2015 o assunto era plugar as duas ferramentas, porque o GLPI não coletava nada sozinho. Desde o GLPI 10, no entanto, ele coleta: o inventário nasceu dentro da plataforma. O GLPI Agent assumiu o lugar do FusionInventory como coletor mantido pelo fabricante.
Este guia trata da travessia que a operação faz de verdade. Você vai ver quando ainda vale manter o OCS como ponte. Em seguida, como trocar o agente no parque inteiro. Por fim, que dado o scan nunca recupera sozinho e como provar que nada se perdeu antes de desligar o OCS.
Por que o caminho de 2015 deixou de ser o caminho
Até o GLPI 9.x, coletar hardware e software exigia ferramenta externa. O OCS Inventory fazia a coleta. O GLPI recebia os computadores por importação. Cada lado, então, mantinha o próprio banco. Ou seja, era uma arquitetura de dois servidores para uma tarefa só.
No GLPI 10 isso mudou de lugar. A Teclib levou o código do FusionInventory para o núcleo da plataforma e batizou o coletor de GLPI Agent. Detalhamos essa mudança no guia de inventário no GLPI com Discovery e CMDB. Assim, o inventário virou módulo nativo, com endpoint próprio para receber os dados.
Assim, a consequência prática aparece na hora de decidir. Manter o OCS hoje significa sustentar dois servidores, dois bancos e dois ciclos de atualização. Em suma, dois ambientes inteiros para alimentar um único CMDB. Portanto, confirme antes em que versão a sua instância está: se ela ainda roda um ramo antigo, atualizar o GLPI vem primeiro.
Ponte ou saída: os dois caminhos que existem hoje
Existem dois caminhos legítimos, com custos diferentes. O primeiro mantém o OCS coletando e usa o plugin ocsinventoryng para trazer os computadores para dentro do GLPI. Já o segundo troca o agente no parque e encerra o OCS.
O plugin continua vivo, ao contrário do que a idade dos tutoriais sugere. Inclusive, a lista de versões publicadas traz entregas declaradas para o ramo 11.0. Além disso, ele entra pelo marketplace, como qualquer outro item do catálogo de plugins do GLPI.
| Dimensão | Ponte: OCS + plugin | Saída: GLPI Agent |
|---|---|---|
| Esforço imediato | Baixo: nada muda na ponta | Médio: exige tocar em cada máquina |
| Servidores para sustentar | Dois, com dois bancos | Um |
| Dependência de terceiro | Plugin da comunidade no caminho crítico | Módulo do núcleo |
| Alcance da coleta | Hardware, software e ativos de rede por SNMP | O mesmo, mais VMs locais e bancos |
| Onde o dado entra | banco do OCS |
front/inventory.php |
O critério de decisão é o prazo, não a preferência. Tem centenas de máquinas espalhadas por unidades sem GPO? Então use a ponte para ganhar o CMDB agora e troque o agente por ondas. Se o parque cabe em três ou quatro ondas de GPO, vá direto para a saída. Dessa forma, você poupa meses de operação dupla.
O que o scan não recupera sozinho
Antes de tocar no agente, separe o que a máquina informa do que só uma pessoa sabe. Essa distinção decide quanto trabalho manual sobra no fim.
O agente devolve processador, memória, disco, endereço MAC, número de série e sistema operacional. Além disso, devolve a lista de software instalado. Ou seja, tudo isso se recupera sozinho na primeira coleta. Por isso, não vale a pena exportar planilha do OCS para esses campos.
Contrato, nota fiscal, centro de custo, localização física, responsável e data de garantia não aparecem em scan nenhum. Esses campos alimentam o CMDB e sustentam a gestão de licenças e contratos. Exporte-os do OCS antes, mesmo quando a migração de hardware for automática.
O campo de responsável merece atenção à parte. Ou seja, ele só faz sentido depois que a base de usuários existe no GLPI. Resolva primeiro, portanto, a autenticação no Active Directory. Do contrário, o ativo chega sem dono e alguém preenche isso na mão, máquina por máquina.
Passo 1: preparar o GLPI antes de tocar no agente
O primeiro passo acontece inteiro no servidor, sem risco para a ponta. Ative o inventário nativo em Administração > Inventário e confirme que a plataforma aceita dados de agente. Sem isso, o agente instalado envia coleta para um endpoint que responde com erro.
No GLPI 11.0.8 recém-instalado a opção vem desmarcada. É ela que abre o endpoint de coleta:

Aproveite a mesma janela para definir a política de importação. Nesse sentido, duas opções mudam o resultado do projeto inteiro. A primeira decide se um equipamento desconhecido entra automaticamente. A segunda define o tempo de retenção do agente sem contato. Deixe a entrada automática ligada durante a migração e reavalie depois.
Feche o passo com backup do banco, porque a carga de inventário escreve em massa. Ao contrário de um erro de cadastro, ela não desfaz com um clique.
Passo 2: trocar o agente OCS pelo GLPI Agent
No Windows, a instalação silenciosa resolve o parque em uma linha por máquina. O parâmetro SERVER aponta o servidor e RUNNOW força a primeira coleta. Já TAG carimba a origem, o que permite separar depois quem migrou de quem ainda não.
A relação de opções está na documentação oficial dos parâmetros de instalação. Da mesma forma, em ambiente com Active Directory, a mesma linha vira pacote de GPO. Assim, o parque migra por unidade organizacional, sem visita técnica.
Depois da primeira coleta, a ficha do computador passa a declarar a origem de cada componente:

Na operação da Velonet, provedor de fibra com atuação no Brasil e em Angola, montamos o inventário do GLPI de duas frentes. Agente nas estações e descoberta por SNMP nos equipamentos de rede.
O ganho, porém, não foi o número de ativos. Foi eliminar o cadastro manual que antes vivia em planilha, num ambiente de MSP onde cada cliente tem o próprio parque.
O desenho está no case da Velonet com GLPI e MetaBase. A dupla que conduziu o projeto conta a operação no OpCast #07, com Raul Mota e Alves Zulo.
Passo 3: as regras de vínculo, antes da primeira carga
Aqui mora a armadilha que transforma migração em retrabalho. Quando a coleta nova chega, o GLPI precisa decidir se aquele computador já existe. Quem responde isso são as regras de vínculo de equipamentos, em Administração > Regras.
A tela que decide entre atualizar o ativo existente e criar um novo avisa logo no topo como o motor se comporta:

O critério padrão combina número de série, UUID e endereço MAC. Contudo, o parque real quebra esse critério com frequência. Máquina virtual clonada repete UUID. Notebook trocado por garantia repete nome com série nova. Placa de rede USB muda o MAC a cada dock diferente.
Por isso, ajuste a ordem das regras antes da onda 1, nunca depois. Uma carga de 300 máquinas com regra frouxa duplica ativo em silêncio. Depois disso, a limpeza custa mais que a migração. Rode a primeira onda com 10 ou 20 máquinas. Em seguida, confira o resultado antes de liberar o resto.
Passo 4: provar que o parque bate antes de desligar o OCS
Migração termina com prova, não com sensação. A comparação mais simples roda direto nos dois bancos. De um lado, quantas máquinas reportaram ao OCS nos últimos 30 dias. De outro, quantas têm inventário recente no GLPI.
Os dois números não vão bater na primeira semana. Está certo que não batam. Máquina desligada, notebook em férias e equipamento já descartado explicam a diferença. O que importa é a curva: a cada onda, a contagem do GLPI sobe e a lacuna encolhe.
Na lista de computadores, a máquina que já passou pelo agente se separa das outras pela data e pelas colunas preenchidas:

Feche com uma amostra manual. Escolha dez ativos de perfis diferentes: um servidor, um notebook, uma estação de loja. Depois disso, confira campo a campo contra o OCS. Contagem igual com dado errado é o pior desfecho possível, porque ninguém desconfia dele.
O que fazer com o servidor antigo
Não desligue o OCS no dia em que a última onda termina. Mantenha o servidor no ar, em modo somente leitura, por pelo menos um ciclo inteiro de inventário. Ele deixa de receber coleta. Ainda assim, continua respondendo a qualquer dúvida de histórico durante a estabilização.
Depois disso, guarde um dump do banco junto da documentação do projeto e desative o serviço. Vale destacar que a mesma pergunta segue aberta no repositório oficial do agente, sem resposta desde 2024. Quem documenta o próprio caminho não depende de achar essa resposta pronta.
Às vezes a migração faz parte de um movimento maior, com chamados e SLAs mudando de ferramenta junto. Nesse caso, o roteiro geral está no guia de migração para o GLPI. Este artigo cobre o inventário, que é só uma das frentes do projeto.
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O que muda na semana seguinte
Uma migração de inventário bem feita some do radar depois de pronta. É assim que se reconhece que deu certo. O parque passa a se atualizar sozinho a cada coleta. Além disso, o CMDB deixa de depender de planilha. Assim, a equipe para de manter dois servidores para a mesma pergunta.
O caminho tem quatro decisões. Nenhuma delas, porém, é sobre comando de terminal. Escolher entre ponte e saída define o prazo. Exportar contrato e localização antes define quanto trabalho manual sobra. Ajustar a regra de vínculo antes da onda 1 define se você limpa ativo duplicado no mês seguinte. Por fim, comparar contagem e amostra define quando o servidor antigo sai do ar com segurança.
Talvez o seu parque esteja espalhado por unidades, com anos de histórico no OCS e ninguém com folga para conduzir a troca. Essa é exatamente a conversa que temos todo mês. Fale com um especialista da OpServices e monte o plano com quem sustenta GLPI em produção.
Perguntas Frequentes
Dá para trocar o agente do OCS pelo GLPI Agent sem reinstalar o servidor?
SERVER para a sua instância e remover o agente antigo do OCS. O servidor OCS segue no ar enquanto durar a transição, sem interferir na coleta nova.O plugin OCS Inventory NG ainda funciona no GLPI 11?
ocsinventoryng segue publicando versões declaradas para o ramo 11.0 e continua disponível no marketplace. Ele serve como ponte: mantém o OCS coletando e traz os computadores para dentro do GLPI. A escolha entre ponte e migração é de prazo e de custo: a ponte deixa dois servidores no ar para um CMDB só.
