API REST do GLPI: o que é, como habilitar e como usar na prática
Abrir chamado por e-mail, cadastrar ativo na mão, copiar dados de um sistema para outro: boa parte da rotina de um service desk ainda depende de tarefas repetitivas que poderiam acontecer sozinhas. A API do GLPI existe exatamente para eliminar esse trabalho manual.
Com ela, sistemas externos leem e gravam dados do GLPI de forma automática: abrem chamados a partir de alertas, consultam ativos, atualizam usuários e alimentam portais, chatbots e ferramentas de monitoramento.
Neste guia, você aprende a habilitar a API, autenticar com segurança e executar as operações essenciais. Além disso, entende quando usar a API legada (v1) ou a nova API de alto nível (v2) do GLPI 11. Os exemplos estão prontos para adaptar ao seu ambiente.
O que é a API do GLPI e o que ela permite fazer
A API do GLPI é a interface REST que permite a sistemas externos ler e gravar dados da plataforma sem passar pela tela do sistema. Na prática, ela cria e atualiza chamados, consulta e cadastra ativos, gerencia usuários e executa buscas avançadas. Esse acesso transforma o GLPI em um hub de integração da operação de TI.
Praticamente tudo que um técnico faz na interface web tem um equivalente via API: abrir um ticket, anexar um documento, mudar o status de um incidente, registrar um novo computador no parque. Por isso, ela é a base de qualquer projeto sério de gestão de chamados no GLPI em escala.
Vale destacar que a API respeita o modelo de permissões da plataforma. Cada requisição roda no contexto de um usuário, com seus perfis e entidades. Ou seja, um script nunca enxerga mais do que o usuário que o autentica poderia ver na interface.
API v1 ou API v2: qual usar no GLPI 11
No GLPI 11, a API v2 (alto nível) é a recomendada para aplicações novas: autenticação OAuth2, filtros RSQL e suporte a GraphQL. A API v1 (legada) continua disponível e ainda cobre mais funcionalidades, o que a mantém como escolha segura para scripts e integrações em produção.
O GLPI 11 chegou em outubro de 2025, conforme o anúncio oficial de lançamento, trazendo webhooks nativos, formulários integrados e 2FA. A versão marca a transição entre as duas gerações da API.
A v1 acompanha a plataforma desde o GLPI 9.1 e expõe endpoints por tipo de item via apirest.php. Em contrapartida, a v2 nasceu com OAuth2 e escopos de acesso.
A documentação oficial da versão 2 detalha os seis escopos disponíveis: email, user, status, inventory, graphql e api.
| Dimensão | API v1 (legada) | API v2 (alto nível) |
|---|---|---|
| Endpoint base | apirest.php |
api.php/v2 |
| Disponibilidade | Desde o GLPI 9.1 | A partir do GLPI 11 |
| Cobertura de recursos | Mais ampla hoje | Em evolução |
| Autenticação | User token + App-Token | OAuth2 com escopos |
| Consultas | Motor search com criteria |
Filtros RSQL e GraphQL |
| Indicada para | Scripts e integrações em produção | Aplicações novas e apps interativas |
Em resumo: quem mantém integrações antigas segue na v1 sem sustos. Quem começa um projeto novo no GLPI 11 deve avaliar a v2 primeiro, principalmente se a aplicação precisa de OAuth2 ou de consultas mais expressivas.
Como habilitar a API REST do GLPI passo a passo
Para habilitar a API do GLPI, acesse Configuração, depois Geral, aba API com um perfil de administrador. Ative a opção de API REST e anote a URL exibida, no padrão https://seu-glpi/apirest.php. Em seguida, crie um cliente de API para cada aplicação que vai se conectar e defina os métodos de autenticação aceitos.
O cliente de API funciona como o crachá de cada integração. Ele tem nome, estado ativo ou inativo, registro de logs e um App-Token próprio. Também aceita filtro por faixa de IP: assim, apenas o servidor autorizado consegue usar aquela credencial.
A recomendação é criar um cliente separado para cada sistema que consome a API. Dessa forma, a auditoria mostra exatamente quem fez cada requisição. Se uma integração for desativada, basta revogar o cliente correspondente sem afetar as demais.
Falta o token do usuário. No menu Administração, abra o cadastro do usuário de integração, localize a seção de chaves de acesso remoto e gere a chave. Esse user token identifica quem executa as operações e define as permissões efetivas.
Autenticação na prática: App-Token, user token e Session-Token
O fluxo de autenticação da API v1 usa três tokens com papéis diferentes. O App-Token identifica a aplicação cliente. O user token identifica o usuário. Por fim, o Session-Token representa a sessão aberta e acompanha todas as requisições seguintes.
O primeiro passo de qualquer integração é chamar o endpoint initSession para trocar as credenciais por uma sessão válida:
A resposta traz o campo session_token. A partir daí, toda requisição carrega os headers Session-Token e App-Token juntos. Sem eles, a API devolve erro de autenticação e recusa a operação.
Duas boas práticas fecham o ciclo. Primeiro, trate a sessão como recurso finito: ao terminar o fluxo, chame killSession para encerrá-la. Segundo, guarde tokens em cofres de segredos ou variáveis de ambiente, nunca no código-fonte.
Operações essenciais: criar, consultar e atualizar chamados
Com a sessão aberta, as operações seguem um padrão simples: método HTTP + endpoint do tipo de item. Para criar registros, o corpo da requisição envolve os campos dentro de um objeto input. O exemplo abaixo abre um chamado a partir de um alerta de monitoramento:
A API responde com o ID do chamado criado. O mesmo padrão vale para consultar, atualizar e excluir: muda apenas o método HTTP e o caminho. A tabela resume as operações que sustentam a maioria das integrações:
| Operação | O que faz | Quando usar |
|---|---|---|
GET /initSession |
Abre a sessão e devolve o session_token |
Primeiro passo de qualquer fluxo |
POST /Ticket |
Cria um chamado com o objeto input |
Abertura automática a partir de alertas |
GET /Ticket/{id} |
Consulta os dados de um chamado | Acompanhar status em sistemas externos |
PUT /Ticket/{id} |
Atualiza campos de um chamado existente | Mudar status, prioridade ou atribuição |
GET /search/Ticket |
Busca com filtros criteria |
Relatórios e sincronizações |
GET /killSession |
Encerra a sessão ativa | Boa prática ao fim de cada fluxo |
Para ir além do básico, a referência completa de endpoints documenta dezenas de operações, com exemplos em curl e os códigos de erro mais comuns. Ela cobre inclusive upload de documentos e ações em massa.
Além de chamados: ativos, inventário e usuários
O mesmo padrão de endpoints funciona para qualquer tipo de item: Computer, Monitor, Software, User, entre outros. Um POST em /Computer cadastra uma máquina. Uma busca em /search/Software lista os sistemas instalados no parque.
Esse acesso abre cenários valiosos para o inventário de ativos no GLPI. Por exemplo: sincronizar o CMDB com uma planilha de contratos, cruzar licenças com notas fiscais do ERP ou alimentar dashboards executivos com a posição atual do parque.
Da mesma forma, a API gerencia usuários e grupos. Integrações com RH criam contas automaticamente na admissão, ajustam perfis na mudança de área e desativam acessos no desligamento. Nada disso depende de tarefas manuais do time de TI.
Documentos seguem a mesma lógica: a API faz upload de arquivos, vincula anexos a chamados e permite download programático. Assim, laudos técnicos, evidências de incidentes e contratos digitalizados entram no GLPI direto dos sistemas que os geram.
Casos de uso reais de integração com a API do GLPI
A API deixa de ser abstração quando entra na operação do dia a dia. Três padrões de integração aparecem com frequência nos projetos de ITSM e resolvem dores concretas do service desk.
Monitoramento que abre chamados sozinho
O caso clássico conecta a plataforma de monitoramento de TI ao service desk. Quando um alerta crítico dispara, a ferramenta chama a API e abre o chamado com categoria, urgência e descrição já preenchidas.
A integração do GLPI com o Zabbix segue exatamente esse desenho, com trigger de alerta virando ticket em segundos.
O ganho é direto: nenhum incidente depende de alguém perceber o problema e registrar o chamado. O tempo de resposta cai e o histórico fica completo desde o primeiro segundo.
Portais e formulários personalizados
Empresas com necessidades específicas constroem portais próprios de abertura de chamados: uma aplicação web interna que valida campos, consulta o catálogo e envia o ticket via API.
Nesse cenário, os plugins e a customização do GLPI complementam a API. O FormCreator cobre os formulários, enquanto a API cobre as integrações mais profundas.
Automação de fluxos e webhooks
A API também sustenta cenários avançados de automação no GLPI: robôs que triam chamados, scripts que fecham tickets resolvidos e rotinas que escalam incidentes parados.
No GLPI 11, os webhooks nativos completam o quadro no sentido inverso: o GLPI avisa sistemas externos quando um evento acontece, sem necessidade de consultas periódicas.
Segurança da API do GLPI: boas práticas
Toda porta de integração é também uma superfície de ataque. Por isso, a configuração da API merece o mesmo rigor aplicado a qualquer acesso administrativo do ambiente.
As práticas essenciais começam no acesso: um cliente de API por aplicação e filtro de IP restrito ao servidor de origem. O usuário de integração deve ter perfil dedicado com permissões mínimas. HTTPS é obrigatório em qualquer chamada. Complete com rotação periódica de tokens e logs do cliente habilitados para auditoria.
Adicionalmente, desative a API se nenhuma integração estiver em uso e revogue clientes de projetos encerrados. Um App-Token esquecido em um script antigo é o tipo de brecha que ninguém monitora até virar incidente.
Trate também o endpoint da API como um serviço a ser observado. Se o apirest.php ficar fora do ar, as integrações param em silêncio: alertas deixam de virar chamados sem que ninguém perceba. Um check de disponibilidade simples na ferramenta de monitoramento resolve esse ponto cego.
Centralize chamados, ativos e SLAs em uma única plataforma de ITSM.
Implementamos GLPI e processos ITIL para elevar a eficiência do seu Service Desk e reduzir o tempo de resolução de incidentes.
Conclusão
A API do GLPI transforma a plataforma de um sistema de registro em um hub de integração: chamados nascem de alertas, ativos se mantêm sincronizados e fluxos inteiros rodam sem intervenção humana. O caminho começa simples: ativação da API e um cliente bem configurado. Depois disso, tudo evolui no ritmo da sua operação.
Com o GLPI 11, a decisão entre a v1 e a v2 passa a fazer parte do projeto. Integrações existentes seguem estáveis na API legada, enquanto aplicações novas ganham OAuth2, RSQL e webhooks. Em qualquer cenário, as boas práticas de segurança valem igual: menor privilégio, um cliente por aplicação e auditoria ativa.
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Perguntas Frequentes
Como ativar a API do GLPI?
O que é possível fazer com a API do GLPI?
Como criar chamados no GLPI automaticamente a partir do monitoramento?
initSession, envia um POST para o endpoint Ticket com título, descrição e urgência e recebe o ID do chamado criado. Plataformas como Zabbix e OpMon fazem essa integração de forma nativa ou via scripts simples.
