Como instalar o GLPI 11 no Linux: do servidor vazio ao primeiro chamado
Subir o GLPI em um servidor Linux leva menos tempo do que a maioria dos tutoriais sugere. Com a máquina já provisionada, a sequência de comandos que coloca o serviço no ar cabe em cerca de meia hora.
O que consome as semanas seguintes são os ajustes que quase nenhum guia menciona. O cron rodando em modo navegador, o fuso horário que o banco nunca carregou, o diretório de arquivos com dono errado: nenhum deles aparece na tela final do assistente. Todos aparecem depois, em forma de chamado.
Este guia cobre a instalação do ramo 11 do GLPI, a plataforma open source de ITSM. O alvo é Debian 12 ou Ubuntu 24.04, do primeiro apt até o primeiro login. Além disso, ele não para no assistente: traz o checklist de pós-instalação e uma tabela com os erros mais comuns junto da causa real de cada um.
O que você precisa antes de instalar o GLPI
O GLPI 11 roda sobre uma pilha LAMP em versões recentes. Portanto, o servidor precisa atender ao piso de PHP e de banco antes do download. A conferência leva dois minutos no terminal. Um requisito ausente só aparece na última tela do assistente, depois de todo o trabalho de preparação, o que obriga a refazer o caminho.
- Servidor Linux com Debian 12 ou Ubuntu 24.04
- Apache 2.4 ou Nginx com reescrita de URL
- PHP 8.2 ou superior com as extensões obrigatórias
- MySQL 8.0 ou MariaDB 10.6
- 2 vCPU, 4 GB de RAM e 20 GB de disco como piso
- Acesso root e um nome DNS para o serviço
Os números da tabela abaixo saem da documentação oficial de pré-requisitos, que acompanha cada release. Vale conferir ali antes de provisionar, porque o piso muda entre ramos.
| Requisito | GLPI 10.0.X | GLPI 11.0.X |
|---|---|---|
| PHP (versão mínima) | 7.4 |
8.2 |
| MySQL (versão mínima) | 5.7 |
8.0 |
| MariaDB (versão mínima) | 10.2 |
10.6 |
| Extensões PHP obrigatórias | dom, fileinfo, filter, libxml, simplexml, tokenizer, xmlreader, xmlwriter, curl, gd, intl, mysqli, session e zlib | as mesmas do ramo 10 somadas a bcmath, mbstring e openssl |
| Servidores web suportados | Apache 2, Nginx, lighttpd ou IIS | os mesmos, sempre com o DocumentRoot em /public |
| Indicação para instalação nova | apenas para ambiente legado | ramo indicado |
Sobre dimensionamento, comece com 2 vCPU, 4 GB de RAM e 20 GB de disco. Esse piso atende uma operação de algumas centenas de ativos inventariados. A partir daí, o que puxa consumo é o histórico de chamados somado ao volume de documentos anexados, não o número de usuários simultâneos.
Qual ramo instalar: GLPI 11 ou GLPI 10
Para uma instalação nova, instale o ramo 11. O anúncio oficial da versão estável saiu em 1 de outubro de 2025.
Desde então, a série passou por vários ciclos de correção. O ramo 10 continua recebendo atualizações, porém escolher o antigo em uma máquina zerada apenas antecipa uma migração.
O vídeo abaixo resume o que mudou da versão 10 para a 11. Ele ajuda a decidir se vale começar direto no ramo novo ou aguardar.
Dois cenários mudam essa recomendação. Quem já opera uma instância antiga deve tratar o caso como atualização assistida para a versão 11, com backup e teste em homologação. Quem vem de outra ferramenta encara um projeto diferente, com carga de dados e desenho de catálogo: o roteiro está em como planejar a troca de ferramenta.
Passo 1: preparar o servidor e instalar os pacotes
Comece atualizando o sistema e instalando a pilha inteira em um único comando. O Debian 12 entrega PHP 8.2 nos repositórios padrão. Já o Ubuntu 24.04 entrega PHP 8.3, portanto os dois atendem ao piso do ramo 11 sem repositório de terceiros.
Se o comando php -v devolver algo abaixo de 8.2, pare aqui. Instalar o GLPI sobre um PHP defasado funciona até a tela de verificação do assistente. Ali o avanço trava, o que obriga a refazer toda a preparação do ambiente.
Passo 2: criar o banco de dados e carregar o fuso horário
O GLPI trabalha apenas com MySQL ou MariaDB. Crie um banco dedicado em utf8mb4 com um usuário exclusivo da aplicação, sem privilégio administrativo no servidor inteiro. Em seguida, carregue as tabelas de fuso horário: esse passo aparece em poucos tutoriais e responde por boa parte dos chamados de data errada.
Guarde o nome do banco, o usuário e a senha em um cofre. O assistente pede os três na etapa de conexão, uma única vez. Refazer a instalação por causa de credencial perdida custa bem mais que anotar.
É a Etapa 2 do assistente que cobra os três: ela testa a conexão e depois lista o banco que você acabou de criar.

Passo 3: baixar o GLPI e posicionar os arquivos
Baixe o pacote da versão estável direto do repositório oficial do projeto. A página oficial de downloads sempre aponta para o release corrente, que hoje é o 11.0.8.
Ajuste o número do arquivo conforme a versão vigente no momento da sua instalação.
Repare no destino: /var/www/glpi, não /var/www/html/glpi. Só o subdiretório public precisa ficar exposto ao navegador. Além disso, manter a árvore fora da raiz padrão evita que uma configuração distraída sirva os arquivos internos da aplicação.
Passo 4: ajustar permissões e publicar o virtual host
As permissões respondem por parte dos erros mais chatos da instalação. O usuário do Apache precisa ser dono da árvore, com 755 nos diretórios e 644 nos arquivos.
Agora publique o virtual host. O ponto que mais derruba instalação nova está na primeira linha do bloco abaixo: o DocumentRoot aponta para /public, nunca para a raiz do GLPI.
Salve o arquivo em /etc/apache2/sites-available/glpi.conf. Depois habilite o site com a2ensite glpi seguido de systemctl reload apache2.
Passo 5: rodar o assistente e fechar a instalação
Abra o navegador no endereço do serviço. O assistente pede idioma, aceite de licença, dados de conexão do banco e a escolha do banco criado no passo 2. Ele então cria as tabelas, o que leva alguns minutos conforme o disco do servidor.
Antes de qualquer pergunta, a Etapa 0 refaz a conferência de ambiente e não deixa seguir enquanto faltar um item obrigatório.

Ao final, o GLPI entrega quatro contas padrão, todas com senha igual ao usuário:
glpi/glpi: administradortech/tech: perfil técniconormal/normal: usuário comumpost-only/postonly: abertura de chamado
Essas quatro contas são públicas em qualquer instalação do mundo. Portanto, troque as senhas antes de expor o serviço na rede. Em seguida, apague o instalador com rm /var/www/glpi/install/install.php: enquanto o arquivo existir, qualquer pessoa que alcance a URL pode reiniciar a configuração.
A última tela do assistente entrega as quatro contas em texto puro, do jeito que elas aparecem em qualquer instalação do mundo.

Os primeiros 30 minutos depois que o assistente termina
A instalação acabou, mas a instância ainda não está pronta para produção. Esta é a lista que separa um GLPI que sobe de um GLPI que sobrevive ao terceiro mês:
- Trocar as senhas das quatro contas padrão
- Apagar o
install.php - Trocar o cron do navegador pelo cron do sistema
- Publicar o serviço em HTTPS
- Ajustar o fuso horário na configuração geral
- Criar a rotina de backup do banco
O item do cron merece atenção. Por padrão, o GLPI executa as ações automáticas quando alguém carrega uma página, o que empilha tarefas e degrada a resposta da interface. A correção é uma linha no crontab do sistema chamando front/cron.php, com o modo alterado para CLI na configuração de ações automáticas.
Vale olhar de novo o que o assistente informou ter criado na Etapa 3: fora isso, o resto da lista acima é trabalho seu.

Do login vazio ao inventário que se atualiza sozinho
Um GLPI recém-instalado está vazio. Ou seja, ele ainda não muda a operação de ninguém.
O caminho mais curto para valor real começa pelo inventário automatizado com o GLPI Agent e a descoberta de rede. Em seguida, desenhe as entidades conforme a estrutura da empresa.
Depois disso, parta para a configuração de filas, SLA e escalonamento.
Na operação da VeloNet, um provedor de fibra ótica com clientes no Brasil e em Angola, o GLPI começou como um formulário de chamado. Estruturamos o inventário por agente somado à descoberta via SNMP, depois integramos o Zabbix para a trigger abrir o chamado sozinha.
Hoje o alerta vira chamado em segundos, sem intervenção manual, com notificação automática 120 dias antes do vencimento de cada contrato. O desenho completo está no caso da VeloNet.
Essa ligação entre monitoramento e chamado é o passo que mais muda o dia a dia do time. Quem já opera Zabbix encontra o roteiro em como abrir chamados a partir de alertas. Para o que o núcleo não entrega, o marketplace resolve boa parte dos casos: os plugins mais usados cobrem relatórios, campos adicionais e integrações.
Erros mais comuns na instalação do GLPI e a causa real de cada um
Nenhum dos tutoriais da primeira página do Google traz seção de troubleshooting, embora seja exatamente ali que a instalação trava. A tabela abaixo reúne os seis sintomas mais frequentes com o que verificar em cada caso.
| Sintoma | O que verificar | Causa real |
|---|---|---|
| Assistente acusa extensão ausente | Rode php -m na mesma SAPI usada pelo Apache |
O pacote entrou apenas no PHP de linha de comando, ou falta php-intl |
| Tudo devolve 404 depois do login | DocumentRoot do virtual host somado ao módulo de reescrita | O vhost aponta para a raiz do GLPI em vez de /public |
| Erro de conexão com o banco | Host declarado no usuário do MariaDB | Usuário criado para outro host que não localhost |
| Datas erradas ou lista de fusos vazia | Conteúdo de mysql.time_zone_name |
Tabelas de fuso não carregadas ou permissão de leitura ausente |
| Ações automáticas não executam | Configuração > Ações automáticas > modo de execução | Cron em modo navegador, dependente de alguém abrir a interface |
| Falha ao anexar arquivo ou salvar configuração | Dono dos diretórios files e config |
Dono diferente do usuário que roda o Apache |
Um padrão atravessa a tabela inteira: nenhum desses sintomas é bug do GLPI. Todos vêm de ambiente, de permissão ou de um passo pulado na preparação. Por isso, quando algo falha depois do assistente, o log do Apache costuma responder mais rápido que qualquer busca.
Centralize chamados, ativos e SLAs em uma única plataforma de ITSM.
Implementamos GLPI e processos ITIL para elevar a eficiência do seu Service Desk e reduzir o tempo de resolução de incidentes.
Instalar leva meia hora, sustentar é o projeto
A sequência deste guia entrega um GLPI 11 no ar em uma manhã. Requisitos conferidos, banco em utf8mb4 com fuso carregado, arquivos em /var/www/glpi, virtual host apontando para /public, assistente concluído e instalador apagado.
O que vem depois define se a ferramenta vira registro de trabalho ou mais um sistema que ninguém abre. Veja o que decide: cron do sistema no lugar do modo navegador, HTTPS antes de liberar o acesso, inventário carregado por agente. Some a isso o catálogo desenhado com quem atende e o backup testado em restauração.
Nenhum desses passos aparece na tela de conclusão, porém todos aparecem no terceiro mês de operação.
Quando o prazo aperta ou a instância precisa nascer integrada ao monitoramento, a implantação assistida de GLPI encurta esse caminho. Nossa equipe já entregou ambientes com inventário, contratos e abertura automática de chamado rodando desde o primeiro dia.
Fale com um especialista da OpServices para desenhar a instalação junto do plano de adoção.

