Grafana: o que é, como funciona e como criar dashboards

Dashboards com Grafana|SQL server Dashboard Grafana|dashboard
Pedro Tebaldi Autor: Pedro Tebaldi PM do KeepGreenEdnilson Correa Revisão técnica: Ednilson Correa SRE
Publicado mar/2019Atualizado set/2026

O Grafana serve para reunir métricas, logs e traces em um painel só. Ele não coleta dado nenhum. Assim, conecta-se a quem já coleta, como o Prometheus, para transformar cada consulta em gráfico, tabela ou alerta.

Essa é a camada de visualização de uma estratégia de observabilidade. Na prática, o Grafana fica na frente do seu pipeline de telemetria e responde três perguntas: o que quebrou, quando começou e onde doeu.

Lançado em 2014 por Torkel Ödegaard, o projeto virou o padrão de facto do mercado. Hoje a Grafana Labs contabiliza 35 milhões de usuários, número divulgado em abril de 2026.

Neste guia você vai ver para que o Grafana serve, como a arquitetura funciona e como montar um dashboard com dado real. Vale destacar que todos os números e telas a seguir saíram de um laboratório em Docker. A versão testada foi o Grafana 13.0.2, em 2 de setembro de 2026.

 

O que é Grafana?

Grafana é uma plataforma open source de visualização, análise e monitoramento que liga dashboards interativos a várias fontes de dados simultaneamente. A interface nasceu baseada no Kibana 3, com foco em métricas. Depois disso, o projeto passou a cobrir logs, traces e alertas no mesmo painel.

Quem mantém o projeto é a Grafana Labs, que também desenvolve o ecossistema LGTM: Loki (logs), o próprio Grafana (visualização), Tempo (traces) e Mimir (métricas em escala). Dessa forma, o conjunto forma uma alternativa open source ao stack proprietário de fornecedores como Datadog ou New Relic.

Para aprofundar, a documentação oficial do projeto cobre instalação, configuração de data sources e alertas.

 
Dashboard do Grafana monitorando um servidor IBM Power, com medidores de memória, vCPU e discos ocupados, além de gráficos de uso de CPU ao longo do dia

 

Arquitetura do Grafana: como funciona

 

Data Sources

O Grafana não armazena dados: ele se conecta a fontes externas via data sources. Ou seja, cada data source é um plugin que define como o Grafana consulta e interpreta os dados de um backend específico.

Na versão 13.0.2, a instalação padrão já traz 18 fontes de dados prontas. Elas cobrem métricas via Prometheus, Graphite e InfluxDB; logs via Loki; traces via Tempo, Jaeger e Zipkin. Além disso, entram os bancos SQL e as APIs das três grandes nuvens.

Surpreende a ausência do Elasticsearch. Na imagem grafana-oss dessa versão ele não vem instalado, portanto entra como plugin à parte.

 

Pilar Fontes que já vêm instaladas Critério de escolha
Métricas Prometheus, InfluxDB, Graphite, OpenTSDB Prometheus quando a coleta é por scraping em Kubernetes; InfluxDB quando a escrita vem de sensor ou IoT em alta frequência
Métricas de nuvem CloudWatch, Azure Monitor, Google Cloud Monitoring Serviço gerenciado que não expõe endpoint próprio, então o dado só existe dentro da nuvem
Logs Loki Loki indexa label, não o texto inteiro, e por isso custa menos que busca full-text
Traces Tempo, Jaeger, Zipkin Tempo integra com Loki pelo mesmo rótulo; Jaeger e Zipkin quando o rastro já existe na stack
Perfis de código Pyroscope, Parca Consumo de CPU e memória linha a linha, quando a métrica já apontou o serviço culpado
Banco SQL PostgreSQL, MySQL, SQL Server Cruzar sinal técnico com dado de negócio, como pedido em fila ou contrato ativo
Alertas Alertmanager Ler no Grafana o alerta que o Prometheus já dispara, sem duplicar a regra

 

Essa arquitetura de plugins torna o Grafana agnóstico de fornecedor. Assim, a mesma instalação lê Prometheus, InfluxDB e Loki no mesmo dashboard. Cabe ressaltar que conectores para plataformas proprietárias, como o do Datadog, são plugins Enterprise e exigem licença paga.

Conectar uma fonte exige apenas o tipo e o endereço do backend. Por exemplo, a tela abaixo mostra o Prometheus ligado a uma instalação local, com o endereço apontando para o serviço dentro da rede do Docker.

 
Tela de configuração da fonte de dados Prometheus no Grafana, com o campo Prometheus server URL preenchido

 

 

Dashboards e painéis

Todo dashboard do Grafana é composto por painéis (panels). Cada painel é uma visualização independente, com a sua própria consulta, tipo de gráfico e estilo. A versão 13.0.2 traz 27 tipos prontos. Por isso, escolher errado entre eles é o que faz um dashboard bonito não responder nada.

 

Tipo de painel A pergunta que ele responde Erro comum
Time series Como esse número se comportou ao longo do tempo? Plotar dezenas de séries sem agregação, o que vira emaranhado ilegível
Stat Qual é o valor agora, e ele subiu ou desceu? Usar para grandeza que oscila muito, porque o valor exibido depende do instante
Gauge Quanto falta para estourar o limite? Aplicar a métrica sem teto conhecido, já que o medidor precisa de mínimo e máximo
Table Quais itens estão fora do padrão, item a item? Deixar sem ordenação, porque a linha que importa some no meio das outras
Heatmap Como os valores se distribuem, não só a média? Trocar por média simples, que esconde a cauda onde mora a latência ruim
State timeline Quanto tempo o serviço passou em cada estado? Usar para valor contínuo, quando ele só funciona com estado discreto
Logs O que a aplicação escreveu na hora do pico? Abrir janela larga demais e trazer milhares de linhas sem filtro de label
Node Graph Quem chama quem, e onde o tempo se perde? Esperar que ele funcione sem trace instrumentado por trás

 

O Grafana usa uma linguagem de consulta específica por data source. Por exemplo, o Prometheus responde a PromQL, o Loki a LogQL e o Elasticsearch à Query DSL. Assim, o Grafana transforma essas consultas em visualização sem que o engenheiro escreva código de frontend.

No editor de painel os três elementos ficam numa tela só: a fonte de dados, a consulta e a prévia do resultado. Por exemplo, na tela abaixo uma consulta PromQL de uso de CPU aparece no modo Code enquanto o gráfico responde a cada alteração.

 
Editor de painel do Grafana mostrando a consulta PromQL de uso de CPU e a prévia do gráfico com dado real

 

No OpCast #05, Miguel Moraes mostra como o design de um dashboard muda a leitura do painel. Além disso, ele aponta onde a IA entra na criação.

 

 

Alertas

O sistema de alertas unificado do Grafana (módulo Alerting) permite definir alerta sobre qualquer data source. Ou seja, um alerta é uma regra que avalia uma consulta de tempos em tempos e dispara notificação quando a condição se cumpre. Por exemplo, quando o P95 de latência supera 300ms por mais de 5 minutos.

Na notificação, o Grafana cobre vários canais: PagerDuty, Opsgenie, Slack, email e webhooks. Dessa forma, somado a uma estratégia de escalonamento de alertas, ele se torna o ponto central de disparo de incidentes.

Na tela da regra aparece o ciclo inteiro: a consulta que alimenta a avaliação, o limite configurado e o estado atual. Enquanto a condição se mantém pelo período definido, a regra passa de Pending para Firing. Em seguida, a notificação sai.

 
Regra de alerta do Grafana no estado Firing, com a consulta de CPU, o limite de 20% e a condição que dispara o alerta

 

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Grafana e Prometheus: a integração fundamental

A combinação Grafana + Prometheus é o stack de monitoramento mais comum em ambientes Kubernetes e cloud-native. Nessa divisão, o Prometheus cuida da coleta e do armazenamento via scraping, ao passo que o Grafana cuida da visualização e dos alertas.

O fluxo tem três tempos. Antes de tudo, as aplicações expõem métricas no formato Prometheus pelo endpoint /metrics. Em seguida, o Prometheus faz o scrape delas. Por fim, o Grafana consulta o Prometheus via PromQL e desenha os dashboards.

Como resultado, sai um painel como o abaixo, montado sobre um Prometheus que coleta um node exporter. Vale dizer que o degrau no gráfico de CPU veio de uma carga real aplicada ao host. Não é dado de exemplo.

 
Dashboard do Grafana com cinco painéis de infraestrutura: CPU em uso, memória disponível, alvos coletados, carga do sistema e tráfego de rede

 

Para times que usam OpenTelemetry, o pipeline se expande: as aplicações exportam métricas via OTLP para o OTel Collector, que as converte para o formato Prometheus ou as envia diretamente para Mimir. Em qualquer um dos caminhos, o Grafana visualiza os dados da mesma forma.

 

Como criar um dashboard no Grafana, passo a passo

O caminho abaixo sai do zero e termina com um painel de CPU real na tela. Ele foi executado em 2 de setembro de 2026, no Grafana 13.0.2 com Prometheus. Ou seja, cada número citado saiu dessa execução.

1. Suba a stack. Antes de tudo, crie uma pasta, salve nela os dois arquivos abaixo e rode docker compose up -d. São três containers: o Prometheus coleta, o node exporter expõe as métricas da máquina e o Grafana desenha.




docker-compose.yml
# Portas altas de proposito: nao colidem com o que ja roda na maquina.
services:
  prometheus:
    image: prom/prometheus:latest
    container_name: op-prometheus
    command:
      - --config.file=/etc/prometheus/prometheus.yml
      - --storage.tsdb.retention.time=6h
    volumes:
      - ./prometheus.yml:/etc/prometheus/prometheus.yml:ro
    ports:
      - "9390:9090"

  node-exporter:
    image: prom/node-exporter:latest
    container_name: op-node-exporter

  grafana:
    image: grafana/grafana-oss:latest
    container_name: op-grafana
    environment:
      GF_SECURITY_ADMIN_USER: admin
      GF_SECURITY_ADMIN_PASSWORD: troque-esta-senha
      GF_USERS_DEFAULT_THEME: light
    ports:
      - "3300:3000"
    depends_on:
      - prometheus



prometheus.yml
global:
  scrape_interval: 15s

scrape_configs:
  - job_name: node
    static_configs:
      - targets: ["node-exporter:9100"]
        # O alvo e o NOME DO SERVICO, nao localhost:
        # dentro da rede do Docker cada container e um host.

2. Ligue a fonte de dados. Em seguida, abra http://localhost:3300, entre com o usuário e a senha do compose e vá em Connections, Data sources, Add new data source. Escolha Prometheus e preencha o campo Prometheus server URL.

Atenção ao endereço certo: http://prometheus:9090, o nome do serviço. Dentro da rede do Docker, localhost aponta para o próprio container do Grafana. Por isso essa é a primeira parede em que todo mundo bate.

3. Escreva a consulta certa. Depois disso, crie um painel novo e escolha o data source. Aqui mora o erro que mais estraga dashboard de CPU: usar o counter cru no lugar da derivada dele.




query.promql
# ERRADO: o counter cru. Devolve uma serie por nucleo, em
# segundos acumulados desde o boot. Sempre sobe, nunca desce.
node_cpu_seconds_total{mode="user"}
#  cpu 0 => 739.62      cpu 1 => 592.26      (12 series)
#  Nenhum desses numeros diz quanto a CPU esta ocupada.

# CERTO: a derivada do counter, agregada e em porcentagem.
100 - (avg(rate(node_cpu_seconds_total{mode="idle"}[5m])) * 100)
#  => 1.27   com a maquina ociosa
#  => 31.08  no pico da carga sintetica de 4 nucleos

Os dois painéis abaixo consultam a mesma métrica, no mesmo intervalo. O de cima soma segundos desde o boot, portanto sobe para sempre e ignora a carga. Por outro lado, o de baixo aplica rate() e mostra o episódio inteiro: repouso, pico de 31% e volta ao repouso.

 
Dois painéis do Grafana com a mesma métrica de CPU: acima, o counter cru em segundos acumulados que só sobe; abaixo, a consulta com rate() mostrando a carga subir a 31% e voltar ao repouso

 

4. Ajuste a unidade antes de salvar. No painel de baixo, em Standard options, escolha Percent (0-100) e trave o eixo entre 0 e 100. Sem isso o gráfico reescala sozinho a cada atualização. Assim, um pico de 3% ocupa a tela toda e parece incidente.

5. Salve e nomeie. Por fim, clique em Save dashboard e dê um nome que diga o escopo, por exemplo “Infra, node exporter”. Todo dashboard do Grafana é um JSON. Portanto, versionar esse arquivo é o que permite recriar o painel em outro ambiente sem refazer clique nenhum.

 

Grafana no contexto da observabilidade moderna

Numa arquitetura de observabilidade, o lugar do Grafana é o de camada de visualização unificada. Ou seja, ele não substitui Prometheus, Loki, Tempo ou Jaeger: conecta os quatro em uma navegação única.

Daí vem a correlação entre pilares. De um pico de latência no gráfico de métricas, você pula para os logs do serviço no mesmo período, via Loki. Em seguida, chega aos traces da requisição afetada, via Tempo, sem sair do dashboard.

Em suma, é essa correlação que materializa a observabilidade end-to-end no dia a dia da operação.

Cabe ressaltar um ponto que gera confusão frequente: o Grafana não é um projeto da CNCF. Desde 2021 ele carrega licença AGPLv3, ao passo que a fundação exige Apache 2.0 nos projetos que hospeda. Quem está na CNCF é a camada de coleta ao lado dele, como o Prometheus, graduado em 2018.

 

Grafana Cloud vs. Grafana self-hosted

São duas as formas de implantar o Grafana. A primeira é o Grafana self-hosted, que roda na infraestrutura própria, como binário, container Docker ou chart Helm para Kubernetes. Assim, atende times com restrição de compliance ou que preferem controle total.

Por outro lado, o Grafana Cloud é a versão gerenciada da Grafana Labs. O tier gratuito traz 10 mil séries de métricas ativas, 50 GB de logs, 50 GB de traces e 14 dias de retenção. Além disso, inclui alertas, dashboards e integrações prontas para as principais nuvens.

Para times que estão iniciando uma estratégia de dashboards de observabilidade, o Grafana Cloud no tier gratuito é o ponto de partida mais rápido: não requer infraestrutura própria e já inclui Loki, Tempo e Mimir configurados.

 

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Conclusão

Hoje o Grafana é a camada de visualização padrão de uma estratégia de observabilidade. Ele liga dezenas de fontes de dados em dashboards unificados, com correlação entre métricas, logs e traces. Por isso ocupa o centro da mesa de times de SRE e DevOps que precisam diagnosticar incidente rápido.

Em resumo, a combinação Grafana + Prometheus + OpenTelemetry é o stack open source mais adotado em ambiente cloud-native. Para estruturar essa estratégia e integrar o Grafana ao seu ambiente de produção, fale com nossos especialistas.

 

Perguntas Frequentes

O que é Grafana?
Grafana é uma plataforma open source de visualização e análise que permite criar dashboards interativos conectados a múltiplas fontes de dados. Suporta métricas (Prometheus, InfluxDB), logs (Loki, Elasticsearch) e traces (Tempo, Jaeger) simultaneamente no mesmo painel. É a ferramenta de visualização de observabilidade mais usada no mundo, com 35 milhões de usuários, número informado pela Grafana Labs em abril de 2026.
Qual a diferença entre Grafana e Prometheus?
Prometheus é um sistema de coleta e armazenamento de métricas: faz o scraping dos endpoints das aplicações e persiste os dados em seu banco de séries temporais. Grafana é a camada de visualização e alertas, que consulta o Prometheus via PromQL e transforma os dados em dashboards e gráficos. Os dois são complementares: Prometheus coleta, Grafana visualiza.
Grafana é gratuito?
Sim, o Grafana open source é gratuito e pode ser instalado em qualquer infraestrutura sem custo de licença. O Grafana Cloud tem um tier gratuito com 10 mil séries de métricas ativas, 50 GB de logs e 50 GB de traces com 14 dias de retenção. Planos pagos são cobrados por volume de dados e recursos avançados como alertas ilimitados e retenção estendida.
Como o Grafana se integra com OpenTelemetry?
O Grafana se integra com OpenTelemetry como backend de visualização para os dados exportados via OTLP. O OTel Collector pode enviar métricas para Prometheus ou Mimir (visualizados no Grafana), logs para Loki e traces para Tempo, todos consultáveis no Grafana. A integração permite correlacionar os três pilares de observabilidade em um único dashboard com navegação entre métricas, logs e traces.
O que é o stack LGTM do Grafana Labs?
O stack LGTM é o conjunto de projetos open source da Grafana Labs que cobre os três pilares da observabilidade: Loki (logs), Grafana (visualização), Tempo (traces) e Mimir (métricas em escala). Juntos, formam uma alternativa open source completa aos stacks de observabilidade proprietários, compatível com OpenTelemetry e Prometheus.
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Estou na OpServices desde 2011, onde sou Gerente de Marketing e Product Manager do KeepGreen, plataforma de gestão de incidentes de TI que higieniza alertas, aponta causa raiz com IA, escreve o post-mortem e analisa custos de nuvem. Também lidero os projetos de governança de inteligência artificial da empresa. Escrevo neste blog desde 2013, com mais de 550 artigos publicados sobre monitoramento, observabilidade, SRE e ITSM. LinkedIn

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